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sábado, 11 de setembro de 2010

TALVEZ...


Malu Monte


TALVEZ um dia nos esbarremos em plena multidão
Por entre pessoas, carros e papéis picados ao chão

TALVEZ um vento que venha forte me traga você
Quem sabe o que no amanhã poderá viver?

TALVEZ num desses descaminhos reescrevamos mais um capítulo de nossa história
E achemos algo novo pra contar

TALVEZ as diferenças possam ter pesado contra
Será que era mesmo pra ser?...

TALVEZ as oposições nunca se aproximem
Mesmo com o mundo afirmando que elas se atraem.

TALVEZ o tempo seja mesmo o senhor da razão
Vamos dar-lhe o prazo que ele quiser

TALVEZ nossa história seja sustentada pelas reticências...
E isso contribua para que ainda não haja um final feliz.

Sinto que ainda nos esbarraremos em qualquer situação
Entre pessoas, carros ou
TALVEZ numa rua vazia de gente
Sem os tais papéis picados ao chão.

domingo, 5 de setembro de 2010

OS BELOS QUE ME PERDOEM MAS INTELIGÊNCIA É FUNDAMENTAL


Malu Monte

Olho pro mundo com olhos de lince
Conceito de belo vai além de um bela cara
Vejo fundo na alma do outro
E lamento quando me vêem pelo que me embala

Mas por que será?!
Se casca o tempo desgasta
Afinal não não sou lagarta
Borboleta tão pouco hei de virar.

Suplico que me vejam a alma
Que ouçam o meu coração falar
De nada adianta
Se deixam o desejo imperar

Apaixono-me pelas palavras
Por vezes desprezo o que é visual
Inteligência é afrodisíaco
E mexe com o meu emocional.

Se por vezes sinto-me tentada
Ah... Não é só pelo que vejo não!...
Quando ouço o sussurro de algumas palavras
Fico como um vulcão pronto a entrar em erupção!

Portanto, caros amigos,
Pra que beleza se o importante é o paladar
Afinal, não afirmem que algo é gostoso
Sem que antes o possam provar.

PEÇO LICENÇA A VINÍCIUS DE MORAES POR BRINCAR COM SUAS PALAVRAS.

sábado, 7 de agosto de 2010

CONVITE ESPECIAL A VOCÊ!


Querido amigo,

É com muita alegria que o convido a comparecer nos dois eventos descritos acima.
Tratam-se de duas festas visando uma mesma causa: Divulgar o PROJETO LITERÁRIO DELICATTA, para o qual fui convidada a integrar e aceitei com muita honra.
A antologia em questão é totalmente voltada à poesias, crônicas e contos e abre espaço para a participação de novos nomes da nossa Poesia Brasileira Contemporânea.
Sei que pra quem mora no Rio e em outras cidades ficará complicado comparecer, no entanto, no caso de ter amigos que morem em São Paulo que se interessem por literatura, peço o favor de divulgá-los.
Bjs e até lá!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

QUANDO FALA O CORAÇÃO


Malu Monte


Bate forte no peito a ânsia de falar
De um doce sonho, delírio ou ilusão
Frases sufocadas pelo som do silêncio
Que de repente sai de minha alma

Como explicar o que me faz sentir assim?
Talvez a sensação de uma falsa resposta
Não machuque tanto o peito
Nem faça o coração sangrar

Quando fala o coração
Dá pra ouvir o seu soluçar
E num rio de lágrimas não se pode conter
O sentimento da dor que ficou para trás

Saber verdades em forma de mentiras,
Provar o pior na busca por algo de bom
Falsas palavras numa boca maldita
No encontro da pedra nunca esculpida

Quando fala o coração
Dá pra sentir é só prestar atenção
E se os seus planos foram destruídos pela desilusão
Não lamente, não chore, prefira a solidão.

Faça um favor a você e a mim:
- Ouça o seu coração!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

CONTA-ME



















Malu Monte

Conta-me...
Da dor que aflige o teu peito

E eu te contarei...
Do remédio que a curará

Conta-me...
Dos segredos guardados em ti desde criança

E eu te contarei...
Como saltar esse grito preso em tua garganta

Conta-me...
Do que não fizestes por medo

E eu te contarei...
Da coragem guardada em ti

Conta-me...
Dos teus anseios

E eu te abrirei todas as portas pra que possas entrar.

sábado, 10 de julho de 2010

TRÊS VIDAS, UM DESTINO (Conto)


Malu Monte

Após completar seus 16 anos Clarissa ganhou sua "carta de alforria". Enfim, agora poderia sair para curtir a vida com suas amigas e aproveitar ao máximo tudo o que a juventude lhe ofertava de melhor!
Combinou com Aline e Lúcia que iriam inaugurar a sua liberdade numa danceteria próxima de suas casas. Esse local costumava "bombar"* nos fins de semana, afinal, era o local preferido da galera.
Falou com seus pais que lhes deram permissão com algumas orientações para que tivesse cautela na noite e aqueles conselhos que todos estamos cansados de saber que sempre são valiosos, no entanto, pra quem tem essa idade nem sempre são absorvidos...rsrsrs
Ao entrar na danceteria, seus olhos brilhavam e ela olhava para todos os lados como se fascinada por aquele ambiente de luzes piscantes e barulho ensurdecedor mas que pra ela parecia o som das trombetas dos anjos lhes dando as boas vindas a um novo mundo.
Nada lhe escapava. Tudo era olhado e observado minuciosamente, inclusive as pessoas que por ali circulavam.
No entanto, pra uma novata, aquilo também era motivo de um certo temor diante de tudo o que seus pais sempre lhes disseram.
Então, por conta desses pensamentos, preferiu apenas manter-se na qualidade de boa expectadora.
Suas amigas, mais experientes por serem mais "velhas", estavam eufóricas e ansiosas em lhes mostrarem as várias novidades.
Ao passarem pelo salão onde ficava a pista de dança, Clarissa sentiu algo estranho...Uma sensação esquisita de que alguém a observava.
No entanto, olhava ao seu redor e não tinha certeza se de fato era observada ou se estava tímida por sentir-se um peixe fora dágua, sobretudo, por não ter o costume aquele tipo de ambiente.
Foi então que resolveu ir ao banheiro retocar a maquiagem. Ao sair, deparou-se com uma enorme varanda que não havia percebido.
Como fazia muito calor, resolveu avisar as amigas que iria tomar um pouco de ar puro. As meninas, no entanto, por estarem tão empolgadas com a música que tocava, nem ligaram muito e apenas com um gesto de balançar suas cabeças lhes deram o sinal de aprovação.
Ao chegar à varanda, Clarissa sentiu uma leve brisa balançar seus longos cabelos dourados e pos-se a contemplar as ondas do mar que batiam nas pedras da montanha e que lhe serviriam de cenário para o que estava por acontecer.
De repente, sentiu um quente toque de mão em seu ombro.
Quando voltou-se, deparou-se com um belo rapaz moreno, de fisionomia calma e um largo sorriso estampado no rosto que a fez estremecer.
Naquele instante, a jovem não sabia se a causa de seu tremor era de frio ou se provocada por uma atração física que lhe perturbara os sentidos.
Foi então que o belo jovem se antecipou:
- Olá! Estou observando você desde que chegou...Meu nome é Carlos Eduardo, mas pode me chamar de Dado - É como meus amigos costumam me chamar. E você? Como se chama?
- Ah!...Oi!...Eu me chamo Clarissa e... Me perdoe... Eu estava distraída e assustei-me com você! Rsrsrs
- Clarissa?! Que nome bonito! Isso me lembrou um livro do Érico Veríssimo. Foi por causa dele que seus pais lhe deram este nome?
- Não sei...Acho que deve ter sido sim. Meus pais sempre gostaram muito de ler...
Até este momento, eles ainda não haviam se olhado fundo pois Clarissa preferia fugir por timidez. No entanto, o rapaz não desgrudava um só segundo daqueles olhos castanhos e vivos e isso só a deixava cada vez mais sem jeito...
Foi então, que felizmente, pra quebrar aquela tensão, surgem Aline e Lúcia, que ofegantes e aos risos exclamaram em alto tom:
- Poxa que brisa boa essa que você veio pegar!... (E todos que ouviram riram...)
Clarissa logo apresentou suas amigas ao jovem que foi super simpático e o papo rolou animadamente entre eles por um longo período.
Num dado momento Aline quebrou a conversa ao fazer um comentário:
- Gente, a conversa está muito boa, mas temos que ir embora!Amanhã é dia de acordarmos cedo por conta da nossa aula, já esqueceram deste detalhe?!
- É mesmo!... Bem lembrado! Eu nem atentei pra isso!... Poxa que pena!...(Exclamou Clarissa).
As três jovens se despediram de Dado aos beijinhos e foram embora saltitantes, acompanhadas pelo olhar do rapaz que as focou enquanto se afastavam, até que sumiram pela porta da danceteria.
No dia seguinte, o assunto não poderia ser outro. Era Dado pra cá, Dado pra lá... E muitas gargalhadas e gozações.
Os dias se passaram e eles nunca mais se viram pois quando um voltava lá o outro nunca estava - Dessa forma, o destino se incumbiu de afastá-los.
Conforme o tempo seguia, Clarissa continuou a sair com suas grandes amigas. Numa dessas saídas descompromissadas a jovem conheceu um belo rapaz por quem se encantou. Seu nome, João Carlos, um paraquedista do exército, porte atlético - Um belíssimo exemplar masculino! Daqueles pra ninguém botar defeito!
E foi amor à primeira vista!
Clarissa em nada lembrava aquela jovem inocente. Seu semblante estava diferente; Não comia direito; quase não falava; Vivia em pensamentos; Circulava pelos cantos da casa a suspirar ou a cantarolar; Parecia flutuar por entre nuvens ou habitar um planeta distante anos luz.
Clarissa e João Carlos encontraram-se por algumas vezes e o rapaz, também apaixonado, resolveu frequentar sua casa e formalizar o namoro. A partir daí, a coisa foi ficando cada vez mais séria entre os dois.
J.C. sempre comentava sobre sua família. Seus pais eram separados e cada um morava num estado diferente. Por conta disso, tanto ele quanto sua irmã, foram criados pelos avós paternos. Seu irmão, no entanto, optou por viver com a tia (irmã de sua mãe).
Um dia Antonio Carlos resolveu que iria apresentá-la ao seu irmão e seus tios pois Clarissa ainda não tivera oportunidade de conhecê-los, embora soubesse de várias histórias que por ele eram contadas.
Ao chegarem na casa dos tios do rapaz qual não foi a decepção!... Seu irmão havia viajado pra casa da mãe que o convidara para passarem juntos um fim de semana em Ouro Preto-MG.
João Carlos lamentou não poder apresentá-la ao irmão caçula Dico - como carinhosamente todos da família o chamavam.
O tempo parecia correr e o casal cada vez mais apaixonado e sempre muito ocupado não pensava em mais nada. Apenas viviam o que a idade lhes permitia.
Cada momento era como se fosse o último de suas vidas tamanha a intensidade com que compartilhavam aquele sonho.
Pareciam estar definitivamente seguindo em direção ao casamento. Planos não lhes faltavam fazer... Até os nomes dos filhos já haviam escolhido!...
Tudo ia muito feliz... Até que um fato muito triste marcou para sempre a vida daquele jovem casal:
João Carlos havia chegado do quartel e já se preparava pra entrar no banho quando o telefone toca e ele, por estar sozinho, se enrolou na toalha e foi logo atender.
Do outro lado da linha, sua irmã, com a voz embargada, em meio a soluços, deu-lhe uma notícia que apunhalou seu coração: "O NOSSO DICO SE FOI! NOSSO MANO MORREU! FOI UM ACIDENTE DE CARRO HORRÍVEL QUANDO VOLTAVA DE MINAS! TODOS SOBREVIVERAM E SÓ ELE NÃO! "
O rapaz sentiu um tremor nas pernas e o coração acelerar.
Sentou-se no sofá, largou o telefone e em sua cabeça um filme passou... Lembrava do rosto do irmão, daquele sorriso, do seu ombro amigo que muitas vezes lhe servira de amparo, do incentivo que lhe dera quando fez prova pra oficial. Embora mais novo, Dico era muito maduro e sempre dava-lhe bons conselhos.
Ah!...Que momento triste! Ver alguém que se ama partir de forma tão prematura e brutal!...Até pra quem está de fora é muito complicado se consolar uma perda assim! Mais difícil ainda é se aceitar tal fato!
Ao perceber que a situação era real, que não era um sonho, João Carlos percebeu que precisava saber mais detalhes. Resolveu, então, trocar de roupa e ligar pra tia que lhe explicou justamente tudo como aconteceu. A mesma, também aproveitou o momento pra lhe dar todos os detalhes sobre onde seriam realizados o velório e o sepultamento.
Após tomar ciência dos fatos, o rapaz ligou pra Clarissa que imediatamente foi ao seu encontro e o conduziu ao local onde o corpo do irmão se encontrava.
Ao chegarem na capela, os familiares e amigos todos presentes - Ele era um rapaz muito querido! Muita gente ali pra dar o último adeus ao "Amado Dico"!
Clarissa, amparava o namorado que não se aguentava de pé, tamanha era a sua dor.
Passado um tempo, quando faltavam poucos segundos para fechar-se o caixão, a moça contendo as lágrimas resolveu se aproximar para também dar o seu último adeus aquele a quem ainda não havia sido apresentada e que, naquele instante, iria ver pela primeira e última vez.
Ao se aproximar do corpo para fazer sua oração de despedida a moça levou um choque!
Não podia ser verdade o que estava diante de seus olhos!... Como podia ser aquilo?! NÃO!... NÃO!... Como o destino poderia ter lhe pregado aquela peça justamente naquele momento?!... DEUS! OH DEUS!... Por que isso foi acontecer?!...
Clarissa sentiu um suor frio escorrer pelo seu rosto. Com a visão nublada, foi perdendo a noção e por fim desmaiou!
Ao acordar, após terem feito alguns procedimentos usuais nesses casos, Clarissa voltou-se ao namorado que ao olhá-la mostrou-se compreensivo por tudo o que se passava após ter sido avisado por suas amigas Aline e Lúcia que lá estavam pra prestar-lhe solidariedade e que, assim como Clarissa, também estavam chocadas!
O tempo passou, João Carlos e Clarissa se casaram.
Anos depois, a jovem mulher engravidou, dando à luz a um menino lindo a quem deu o nome "Eduardo".
Uma merecida homenagem aquele jovem e belo rapaz a quem tivera o prazer de conhecer no primeiro dia de uma fase importante de sua vida e de quem ela jamais esquecerá!

* Bombar = lotar, ficar cheio

NOTA: A história contada é real. Os nomes dos personagens foram por mim trocados como forma de preservar os seus direitos.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A LONGA ESTRADA DA VIDA


Malu Monte

Se na longa estrada da vida cada passo foi contado em sorrisos, lágrimas, esperanças, desassossegos, realizações...
Então valeu a parceria firmada com o propósito de nunca acabar!
E até aquele incentivo da conquista alheia em que você se abastece do preço da perda de algo pelo ganho do outro...
Então valeu por incentivar!
E se nessa troca lá se foram primaveras que não sentimos passar ao
navegarmos em ondas turbulentas que por vezes nos sacudiram e nos impulsionaram a ousar...
Então valeu esse navegar!
Da soma das ideias de um e outro as conquistas foram atingidas ainda que dos sonhos muitas vezes nos forçaram acordar...
Então valeu pelo planejar!
E se por vezes almejamos uma tal calmaria com o propósito de relaxar do vaivém dessa batida desenfreada por sobreviver...
Então valeu a pena acalmar!
Naquela busca por um lugar ao sol os detalhes nos escaparam aos olhos e chegamos ao ponto de não perceber o que esperavam de nós...
Ainda assim valeu por buscar!
Mas cá pra nós...
Quem foi que disse que teremos que passar a limpo essas lições aprendidas?
Ao contrário, deixem que elas estejam lá e, assim, como num caderno de consultas, poderemos contabilizar nossos erros nessa busca incessante por tentar acertar!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

MICHAEL - UMA ESTRELA


Malu Monte


Tu és uma estrela!
E para sempre brilharás
Tu és uma estrela!
Que tentaram o brilho apagar
Tu és uma estrela!
E uma estrela, que a todo instante iremos contemplar.
Michael, nós nunca deixaremos de te amar!


Sugestão p/leitura: Crônica que fiz quando da morte do cantor: http://malumonte.blogspot.com/2009/07/michael-jackson-o-homem-x-o-artista.html

quinta-feira, 17 de junho de 2010

AH...QUEM ME DERA!...


Malu Monte


Quem me dera ter você aqui comigo
Poderias deitar no meu colo pra que eu o pudesse ninar
Cantaria ao seu ouvido a canção que você desejasse
Ou quem sabe, aquela que de mim você lembrasse

Ah quem me dera você e eu, nós dois aqui
Juntinhos por uma noite inteira
A quebrar todas as regras
Fecharíamos todas as cortinas

Jogaríamos todos os relógios fora
Pra nem vermos o tempo passar
Quem me dera não ter compromissos com hora
Poder estar inteira pra você

E se tivesse que brincar de amor
A gente brincaria
E se quiséssemos brincar de ser feliz
A gente brincaria

E se você quisesse ser o meu rei
Sua rainha eu seria
Prazeres a você daria
Sem de nada fazer economia

Pois bem sei os seus gostos
E você sabe dos meus
Com você eu faria tudo
E fartaria de beijos os lábios seus

Você me levaria no embalo da dança
E eu iria no seu compasso sem me atropelar
Mas só pediria não trocar meu nome na hora "H"
Nem penses em me chamar de Maria, Dora, Dinorah ou sei lá...

Caso isso acontecesse não terias como consertar
Porque aí todo o encanto se quebraria
E num rompante de mulher ferida a roupa eu poria
E quando você acordasse eu lá não mais estaria.

terça-feira, 8 de junho de 2010

FILHOS/ POEMAS


Malu Monte


Poemas são como filhos que pomos no mundo
Pois se filhos saem da dor do parir
Poemas bem assim são concebidos
Surgem pela dor que muitas vezes sentimos
E ao externá-los são como vidas que nascem
Não se sabe como serão vistos
Se serão admirados por sua beleza
Ou se criticados por sua ausência
Não se sabe se serão amados por todos
Ou se ignorados em um canto qualquer
Ah mas quem os pare com certeza o sabe bem
Como é de grande valor um comentário
Pra quem lhes deu a vida
Sempre significarão algo
Pois pra cada parto descrito
Tem-se uma razão para sê-lo
E cada ato de concepção
Faz-se de um abundante sentimento
Ainda que este fosse só um ato por zelo
Ele estivera ali presente
Seja em forma de paixão
De alegria
Dor
Amor
Solidão...
Filhos, meus filhos queridos!...
Que bem que vocês me dão!
Que alívio que eu sinto ao dar-lhes vida!
Vinde a mim, oh inspiração!


segunda-feira, 7 de junho de 2010

ANTÍTESES


Malu Monte


A mão que afaga é a que pune
A boca que beija é a mesma que pode ofender
Os braços que abraçam podem agredir
O corpo que dá prazer pode te contaminar
Coração que carrega alegria também pode carregar a dor

Sorriso franco pode ser falso
Gesto de simpatia pode ser hipocrisia
Sexo por sentimento pode ser só por tesão
A expressão de surpresa pode ser teatro
O beijo de amor pode ser de traição

Pessoas se amam
Se odeiam
Vivem
morrem
Constroem sonhos
E os descontroem
Pessoas se agridem
Se acariciam
Pessoas são pessoas
Umas são mais
Outras menos
Pessoas são eternas
Outras não
Pessoas são verdades
Outras ficam só na intenção
Mas pra mim, a essa altura, tanto faz
Pessoas são pessoas, nada mais!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

ENCONTROS E DESPEDIDAS

















Malu Monte

Sento-me à beira do cais
Ponho-me a observar a pessoa que fica
Vejo tristeza estampada em seu olhar
Lembranças levadas pelo vento
Momentos felizes que ficarão no pensamento.
No cais, o nativo mantém-se ali parado
A fitar aquele navio que vai sumindo aos poucos...
Navio este, que leva consigo um pedacinho de si
Que faz com que a paisagem que, até então, lhe era costumeira
Seja modificada por ver o seu amor partir.
Semblante distante num olhar perdido
Vagos pensamentos dos sonhos compartilhados
Horas atrás por eles ali vividos.
À pessoa que parte
Resta-lhe apenas o transcorrer da viagem
E o contemplar das ondas que batem na embarcação,
Sensação do sol queimando-lhe a pele,
A brisa a soprar-lhe o rosto,
O desmanchar de seus longos cabelos
A gelar-lhe o coração.
Fica, então, naquela que vai
A expectativa pelo ancorar de seu barco no porto de origem
A busca do reencontro com o passado
Outrora ali deixado e que antes lhe parecia tão esquecido...
Milhares de dúvidas pairam sobre sua cabeça
Será que aqueles dias voltarão?...
Dias em que outono se fez inverno,
Primavera se fez verão
Verão se fez amor
Ah! Isso tudo daria uma bela canção!...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

SABER VIVER - Crônica


Malu Monte

Estava conversando com uma amiga que se queixava de sua mãe.
Segundo ela, a mãe que sofre do "Mal de Alzheimer" e não a deixa viver como gostaria.
Hoje, às vésperas de completar os meus 51 anos de vida e já sem minha mãe ao meu lado, confesso ter ficado triste ao ouvir tal desabafo...
Coloquei-me no lugar dessa mãe e pensei: - Quem de nós pede pra ficar nesse estado na velhice?
Todas queremos gozar de uma velhice saudável, viajando pelos quatro cantos do mundo, bater pernas por aí e fazer tudo o que a maturidade e a disposição nos permitir. De preferência, ao lado do parceiro ou em companhia de amigos(as).
Mas infelizmente, existem situações como a dessa pobre senhora. Casos em que pessoas ao ficarem viúvas e ou atingirem a chamada terceira idade, voltaram-se aos cuidados dos filhos e, por conta disso, nem se permitiram mais à condição de mulher ou homem. Ou seja, deixaram o lado mãe ou pai suplantar qualquer desejo sexual ou vaidade que ainda lhes restasse...
E pra que valeu tudo isso? Só pra bater no peito e dizer que se está pondo em prática a meta do tal amor incondicional?!
Será que não está na hora de repensarmos nossos conceitos em detrimento de tudo o que nos foi ensinado?
Hoje, ao contrário do que era antes, os cuidados e a busca por ferramentas que nos proporcionem uma velhice saudável a fim de que o tempo não nos pregue essas e outras peças se fazem necessários. Sobretudo, por vivermos novos tempos em que os filhos estão independentes em busca de alçarem seus próprios vôos.
Então, é necessário pormos de uma vez por todas em nossas cabeças que, enquanto a vida nos permitir que caminhemos com os nossos próprios pés, precisaremos e devemos nos cuidar, acima de tudo, por amor a nós mesmos.
Portanto, caro leitor, faça um esforço positivo e siga as seguintes dicas:
1. Cuide-se,
2. Ame-se,
3. Pratique atividades físicas,
4. Busque exercitar o cérebro,
5. Faça periodicamente um acompanhamento médico – seguro morreu de velho...rsrs
6. Pare de se colocar na posição de vítima e esperar do outro aquilo que talvez ele nunca lhe dê.

É ...Hoje a minha ficha caiu de vez!

Homenagem especial à Maria Luiza (Vó Zuzita), poetiza da qual sou fã - Um exemplo de vida e lucidez a ser seguido.

Visitem seu blog: http:mariazuzita.blogspot.com

quinta-feira, 20 de maio de 2010

COISA SIMPLES



















Malu Monte

Coisa simples é correr de pés descalços
É subir num pé de árvore pra pegar fruta madura
Tomar banho de chuva sem se importar se vai ficar com o cabelo lambido
Chupar sorvete, se lambuzar inteiro mas não deixar de aproveitar até o último pedacinho da casquinha
Coisa simples é contar estrelas deitado na grama molhada em noite de lua cheia
É se banhar no mar pelado sem se importar se tem alguém a espiar
Comer um prato de arroz com feijão e ovo frito como se fosse caviar
Saborear uma barra de chocolate e lamber os dedos quando ela acabar
Pular num show de rock e suar como se um banho tivesse acabado de tomar
Coisa simples é escrever uma declaração de amor na areia da praia
É fazer amor com quem se ama como se fosse a primeira vez
Abrir o vidro do carro em movimento e se deixar descabelar
Ter um acesso de riso daquilo que todos não acham a menor graça
Abraçar o outro e sentir a energia de uma verdadeira amizade
Coisa simples é chorar vendo a cena triste na novela da tv.
Olhar nos olhos do seu cão e captar o quanto de fidelidade ele dedica a você
É sentir a poesia invadir de mansinho o peito quando não se tem nada a fazer

Afinal, tem coisa mais simples que viver?!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

TEU ERRO



Malu Monte

Errada estás! Estás errada sim!
Não tens que cobrar o que não vendeu
Pedir se nem ao menos ofertou
Já pensaste que se não foi é pq não era pra ser?
Deixa pra lá o erro já aconteceu
Promessas tu fez e não as cumpriu
Aquilo que veio e com o vento se perdeu é porque não era teu
E se tiver que ser voltará na hora certa
Como um jardim cuidado à espera da borboleta que um dia ali pousou e não mais voltou...
Não deixe que a palavra "NUNCA" habite o teu dicionário
Pense que o "TALVEZ" fora inventado com um propósito
E que ele se encaixa perfeitamente no teu caso
Não diga adeus a quem tu um dia poderás dizer novamente: OLÁ!
Vamos, aproveite essa data especial e faça um pedido às estrelas
Suba no topo da montanha dos teus sonhos e grite aos quatro ventos
aquele desejo mais profundo.
Mas lembre-se não o conte a ninguém!...
Guarde-o numa caixinha mágica chamada coração!

domingo, 16 de maio de 2010

QUEM É VOCÊ?


(Malu Monte)

Quem é você que entrou e sem pedir licença invadiu meu coração?
Você que não pagou sequer o pedágio exigido
Despertando em mim os instintos mais sem sentido
saciando a sede da minha paixão.

Quem é você que meus desejos vem despertar
Que aguça a minha libido
E sem que eu tenha concedido
Meus segredos vem descortinar.

Diga, quem é você criatura pagã?
Ora veja, não pagou sequer o pedágio exigido
E ainda que eu não tenha o acesso lhe permitido
Entrou, assinou o ponto e se foi pela manhã.

Quem é você que chegou de mansinho e tomou conta de tudo assim?
Quem dera eu soubesse a resposta pois não estaria a lhe questionar.
Pelo menos deixe uma pista pra mim!...

terça-feira, 11 de maio de 2010

QUANDO A SAUDADE APERTAR


(Malu Monte)

Se um dia sentires saudades de mim...
Procure-me no reluzir da estrela mais brilhante
No clarão da lua
Na força das ondas do mar
Na beleza da rosa vermelha
Na inocência do sorriso de uma criança
No canto dos pássaros
Na liberdade do vôo da águia
Na claridade de cada amanhecer
Nas gotas do orvalho que cai
E se, ainda assim, você não conseguir saciar esta saudade
Siga na direção do vento e me encontrarás no final do arco-íris
E eu te direi: Vinde a mim, eu estava mesmo a te esperar!...

domingo, 9 de maio de 2010

AS QUATRO ESTAÇÕES (Haikai)


Malu Monte

Do Verão quero ter a luz do sol;
Do outono quero ter a imponência do vento que derruba as folhas;
Do inverno quero ter o aconchego que o frio traz;
Da primavera?...Ah!...Dela eu quero ter a beleza das flores que colorem os campos e nos transmitem paz!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

MÃE (Haikai)



Primeiro o susto,
A emoção,
O medo,
Depois o momento pleno.
Eis o milagre da vida!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

JUVENTUDE (Frase)


Malu Monte

"A Juventude não é uma contagem do tempo de vida; a juventude é um estado de espírito."

LUA NUA


Malu Monte

Nua no meio da rua
Sem pudores te espero
Observada por estrelas que brilham
No negro céu da noite
Focada pelo clarão da lua
Sinto-me num palco de ilusões
Como atriz principal
A declarar o meu amor
Nos versos que fiz
Diante da platéia imaginária
Aqui, agora, nua, no meio da rua,
Sob aquela mesma lua
Que outrora nos servira de cenário
Viajo na companhia de cometas
Sonhadora a esperar por ti.

terça-feira, 4 de maio de 2010

POR QUE AS PESSOAS GRITAM QUANDO ESTÃO ABORRECIDAS? (Crônica)



Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus
discípulos: "Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?"

"Gritamos porque perdemos a calma", disse um deles.

"Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?",
questionou novamente o pensador.

"Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça",
retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar:

"Então, não é possível falar-lhe em voz baixa?" Várias outras
respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.

Então, ele esclareceu:

"Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está
aborrecido?"

O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se
afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para
poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem,
mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande
distância.

Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?
Elas não gritam. Falam suavemente. E, por quê? Porque seus corações
estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes, estão
tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E,
quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas
se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece
quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador conclui, dizendo:

"Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem,
não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que
a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta".


NOTA: Se alguém souber a autoria, por favor, me comunique para eu dar o crédito a quem é de direito.

domingo, 2 de maio de 2010

AMA-ME (Frase)


Malu Monte

"Ama-me pelo que sou e não pelo que aparento ser."

segunda-feira, 26 de abril de 2010

EU TIVE UM SONHO


Malu Monte

Noite dessas eu tive um sonho
Sonhei que levitava por entre nuvens
E elas formavam pessoas a me saudar.
Até vi rostos que marcaram minha vida
Minha amada mãe estava lá.
Revi amigos que já se foram,
Outros que ainda estão por aqui
Ídolos que partiram faz tempo...
Outros nem tanto tempo faz...
Amores que se foram ao longo da minha história
Era como se através de sorrisos
Dissessem-me algo que eu não sei decifrar
Mas sinto não ser nada ruim, ao contrário,
Pelas fisionomias assim eu pressentia
E eu até que me ria sem nada dizer
E daquele episódio que de certa forma me elevou o astral
eu tive que acordar
Confesso ter tido vontade de voltar a dormir
Terá sido apenas só mais um daqueles sonhos gostosos de se sonhar?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O HOMEM DO TERNO AMARELO


Malu Monte


Mas que figura estranha
Que passeia pela avenida Graça Aranha
Todos os olhares pra ele se voltam
E o tal nem se dá conta de sua façanha

Mas que sujeito danado de bizarro
Faz de tudo pra se deixar notar
Pelas suas experiências vividas
Tira da cicatriz deixada por suas feridas
O prazer de ter o que depois contar

Criatura que de bom gosto nem tem o quê
Mistura aqui e ali tudo sem noção
Mas só pra chamar a atenção
Usa e abusa sem de moda nada entender

E esse terno amarelo, então...
O que é aquilo, me diga cidadão?!
Só falta colocar uma jaca no pescoço
Porque de longe já se avista o moço
Que mais parece um letreiro de cerca de alta tensão

E o sujeito que de pacato nada tem
Ainda pisca seus olhos vesgos e sem ter um vintém
Investe nas moças e tenta seduzir a mais casta
Sem óbvio enxergar aquilo que lhe falta
Só achando que se basta!...

A vontade que tenho é dizer a esse senhor
Que faça um favor pra si e pros outros
Tinja o tal terno amarelo de outra cor
Pois esse tom de ouro está um horror
Mais parece um E.T. saído de um disco voador.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

FLORES


Malu Monte

Tenho flores para te dar
Cada qual com o seu perfume
São elas: Rosas, lírios, bromélias
Todas representam o meu querer

Tenho flores para te dar
Não importa se jamais as dei
Agora sinto essa vontade e vou fazê-lo
Um ato verdadeiro e isso é o que eu sei

Tenho flores para te dar
Percorri quase mil léguas pra chegar até você
Preciso te provar o quanto és importante
Através delas traduzirei num só gesto o que és para mim

Tenho flores para te dar
Ignoro o valor que isso me custou
Cada qual representa um segundo do meu orgulho
Mas faz-me lembrar o que dia após dia descubro em ti

Tenho flores para te dar
Não ligue se por acaso eu chorar
Sou romântica e nutro-me disso pra viver
Sinto nas batidas do meu coração o sentimento falar

Tenho flores para te dar
Hoje sou pétala da rosa que você retirou os espinhos
Sou como a força da preamar
Feliz por estar viva e cheia de amor a declarar

Tenho flores para te dar
Mas se não as quiser, paciência, eu entenderei
Seguirei o meu caminho em paz
E, quem sabe, noutro jardim plantarei
As tais sementes das flores que tu não quiseste aceitar.

domingo, 21 de março de 2010

ÉS LUZ


Malu Monte

Quem disse que eu não estava lá quando tu precisavas?
Como posso, se desde quando o primeiro acorde entoas
O meu coração já dispara só de pensar
Nas canções que tocas e a mim dedicas.
Quem seria eu, uma soberba ou vulgar
Se não te desse o valor que mereces
Diante de tudo o que a mim veneras
Quisera eu poder te dar tudo o que te completa
Tu dizes que em todos os sentidos eu te satisfaço
E eu me realizo, plena, na minha condição de fêmea
Vaidosa sinto-me amada, desejada...
Não sei do que mais precisar se tudo tenho
Ao teu lado me sinto "Deusa"
Tens o poder de me fazer ascender
Em tua companhia dou passos largos
Pura sintonia entre amor e prazer
Componho poemas, músicas, sonetos...
Rio até daquilo que não tem graça
Tu revertes em bom qualquer desgraça
Fazes com que eu cante canções sem desafinar
Por ti desprendo-me de qualquer sofrimento, dor...
Corro em busca dos sonhos outrora perdidos
Busco a chama da paixão na plenitude do amor.

quinta-feira, 18 de março de 2010

AQUILO QUE SE CHAMA AMOR


Malu Monte

Sentimento assim desmedido
Ferida que não quer curar
Aquilo que se quer sem perder
Preciosos são seus valores
Incansáveis suas sensações
Na busca total por não ter.

Amores que vem, amores que vão
Difícil tentar não perdê-lo
Mesmo que se tenha zelo
Mas que quando acaba não tem jeito não

Inesquecíveis momentos vividos
Que mexem com os cinco sentidos
Na troca de carícias ofegantes
Do desejo que move os amantes
Por fazer o tempo parar.

E nesse exato momento
Com passagem pro firmamento
Paisagens nem são necessárias
E se ali existe um leito
Repousa teu corpo em meu peito
Faça teu rio desaguar no meu mar.

E que a mim Deus permita provar
Desse cálice de poder que embriaga os fracos
Mas que até pra se ser tolo,
Tem que ter tudo a ver
Pois se quem pensa ser tão esperto
Numa flechada em sentido direto
Das mãos do cupido se faz renascer.

E esse tal sentimento aflorado
Se entregue nas mãos do ser excitado
O faz deleitar-se de tanto prazer
E mata a tua sede ao beber do néctar
Que brota das fontes pelas quais se banham
Os tolos, os loucos, os poetas, este autor
Os façam ao menos num dia uma noite viver...
“Aquilo que se chama amor”.

quarta-feira, 17 de março de 2010

MORRER DE AMOR (Frase)


Malu Monte

"Não morra de amor; Viva por ele!"

terça-feira, 16 de março de 2010

DOR DO AMOR (Frase)



Malu Monte

"Feliz de quem se doou e sofre por amor, pois mesmo esse sentimento sendo oriundo da chama da dor está vivo em quem o tem."

O MEU SORRISO


Malu Monte

Esqueça o meu sorriso
Ele não é mais seu
Por tempos tentei te mostrar
O quanto me fazias bem
Agora esqueça o meu sorriso
Hoje estou nos braços de outro
E sei o que é ser feliz
Nada guardo de ti a não ser a lembrança
Daquilo que tentei te mostrar
E você não quis.

Esqueça o meu sorriso
Ele agora é só meu
Não vou doá-lo de novo
Agora só a mim ele pertence
Aprendi a ser eu mesma
Sem a alguém me prender
Quantos amores eu tiver
Vou ser feliz e viver
Com o sorriso que só a mim pertence
Amadureço apesar desse meu jeito non-sense

quinta-feira, 11 de março de 2010

CAIXINHA DE SURPRESAS (Crônica)


Malu Monte

Pessoas são caixinhas de surpresas!
Existem aquelas que você não sabe a que vieram, por que vieram e pra que vieram;
Existem as que chegam como um furacão, invadem corações e desaparecem como nuvem de fumaça;
Existem as que surgem de mansinho de forma discreta vão se aproximando e, quando você se dá conta, já está totalmente seduzido por ela;
Existem as que se destacam por suas habilidades em manipular a todos com suas fortes opiniões e num belo dia você descobre que tudo o que ela pregava não tinha nada a ver com o que ela fazia;
Existem aquelas que aparecem com um buquê de rosas. Ah!... Essas são realmente encantadoras, no entanto, você percebe que rosas murcham e elas também.
Existem aquelas que te sugam a alma e você se sente fraco e sem forças pra caminhar em frente;
Existem as que te dão amor dizendo ser incondicional e num belo dia te apresentam a conta e é aí que você verifica o prejuízo que ela te causou;
Existem as que te cercam de atenção e carinho e de repente, quando você precisa, elas não estão mais ali.
Existem as que te afagam com suas mãos macias e num belo dia te dão um tapa com as mesmas mãos, mas já sem a textura de antes.
Existem as que num dia dizem não saber viver sem você e na noite se vão sem uma real explicação.
Mas não podemos esquecer de que também existem pessoas especiais que estão sempre ao nosso lado, seja na dor ou na alegria; Pessoas que valorizam qualquer minutinho com vc e que por te amar tanto vibram com as suas conquistas como se fossem delas também.

Pessoas são como um Kinder Ovo com uma surpresa desagradável ou não!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

NÃO CHAME BABY (Letra de Música)


Malu Monte


Olha pra mim
Tudo se modificou sem eu perceber
Não vou tornar a repetir o erro
De insistir em te querer

Não chame baby!
Você não faz mais parte dos meus versos
Outros temas surgirão
E o que fica é só lembrança e certeza
De que o que houve não foi em vão

Olha, o que começa tem um fim
Nunca é tarde
Nem precisa se esconder
Você não tem o que temer

Não chame baby!
Já cresci e aprendi as lições
Que você me deu
Eu te dei muitas opções
Até carinho e amor enquanto mereceu

Sei que o tempo fará tudo passar
Feridas hão de cicatrizar
Palavras se foram com o vento
De tudo você se esqueceu

De uma coisa estou ciente
Nessa vida, só se perde o que nos pertenceu.
Faça um favor pra mim:
Não me chame de baby!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

AMAR, MAR, AMOR


Malu Monte

Amar o mar
No mar te amar
Sentir o sabor do sal no amor
O entrelaçar de línguas no beijo salgado
O calor do abraço apertado
Na dança das ondas do mar
Dois corpos molhados
Se amando e amando...
Apenas o desejo de que aquela soma nunca acabe
Amar + mar = amor

BORDADOS DA VIDA





Malu Monte




Seus versos parecem feitos pra mim


As palavras compõem um ritual que já vivi


Estradas pelas quais já passei


Curvas que já dobrei


Páginas da vida que resolvi virar


Novos rostos busquei


Os velhos eu dispensei


Puxei o retrós e segui em frente sem me sentir presa


Bordei novos rumos, flores, campos, paisagens


Alinhavei novos caminhos


Arrematei a minha história


Despi-me dos preconceitos e me vesti de vida!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

SEMPRE NO MEU CORAÇÃO! (Crônica)



Malu Monte

Sempre me pergunto o que ficará para sempre?
Penso que tudo aquilo que marcou positivamente ou até mesmo os dissabores ficarão eternamente dentro de nós - Bom, mas este último não é a questão aqui relevante...

Levei meses planejando uma viagem com o meu marido e ele sempre percebia em mim um certo ar que pra ele soava como descaso, no entanto, o que mal sabia era que as preocupações por mim carregadas estavam atreladas a não ter o completo domínio do idioma de alguns países para os quais íamos; Como seríamos recebidos por pessoas estranhas e com costumes e visões diferentes das nossas? Tudo me afligia naquele momento e eu não sabia explicar.

Finalmente, em maio de 2008, chegou a hora da viagem e lá fomos nós. Ele super empolgado e eu quieta e com o coração apertadinho dentro do peito - Isso eu guardava só pra mim.rsrs

Após 12(doze) horas de vôo e sem pregar os olhos, enfim, pisamos em Paris. Eu olhei aquilo tudo e me senti como uma criança no primeiro dia de aula - É isso mesmo! Tudo diferente mas ao mesmo tempo tão fascinante!... Parecia que eu já estivera ali naquele lugar!... Olhava ao meu redor e achava tudo tão lindo mas com medo de tocar. Igual a quando te apresentam a um prato novo e vc acha a aparência bonita mas teme em experimentar.
Aos poucos o medo foi passando e eu fui me sentindo invadida por um sentimento de curiosidade e pus a me soltar pra ver o que seria tudo aquilo...

Nossa!...À medida em que andávamos e descobríamos coisas novas a nossa vibração aumentava - Paris, que coisa mais linda!...Uma paixão desabrochou e eu não conseguia me conter. Oh! Je t'aime Paris!

Nem o frio me espantava, nem a chuva me fazia abrir o guarda chuva. Naquele momento eu só queria sentir cada gota de chuva no meu rosto. Ao contrário do que normalmente acontece comigo, o frio me deixava disposta e eu andava e andava por aquelas ruas sem me dar conta de que minhas pernas não mais respondiam por mim e que meus pés inchados clamavam por descanso - Na verdade, eu não percebia sequer o socorro que eles me pediam.

De repente, avistamos a Torre Eiffel e eu fiquei estática e maravilhada com o que via bem ali diante dos meus olhos. Pensara que fosse só um amontoado de ferros e pronto, mas na verdade era muito mais que isso - uma verdadeira obra de arte traçada pelas mãos de Gustavo Eiffel. Um monumento gigantesco que de todos os pontos da cidade é avistado e dado o requinte de sua construção foge a qualquer explicação que eu possa dar.

Embora estivéssemos dispostos, já começávamos a dar sinais de cansaço e resolvemos sentar em algum restaurante para que almoçássemos e descansássemos. Afinal, acho que caminhamos a Champs Elysées de ponta à ponta sem que nos déssemos conta disso.

Ao longo de nossa viagem por Paris, conhecemos os principais pontos turísticos: Fomos ao "Arco do Triunfo" - monumento belíssimo e preservado com zelo; Tiramos muitas fotos; algumas diante de casas famosas de espetáculos musicais como o "Lido"; Fizemos algumas compras na Sephora - loja de cosméticos bastante conhecida dos europeus. Haja pernas!...Rsrs...
Estivemos no "Sacre Coeur de Marie" e em "Montmatre"- Bairro que considero um dos mais lindos da cidade - Berço dos artistas de rua - Pintores expõem suas obras, músicos entoam canções autorais e outras já conhecidas; Bonjour Madame!... Bonjour Monsieur!... Sempre a nos saudar.

Nos restaurantes onde entrávamos, os garçons ao verem a bandeirinha do Brasil estampada na minha mochila entoavam Aquarela do Brasil e simpaticamente nos davam um belo sorriso, gritando: Brasil! Ronaldo!;

Visitamos, também, a Catedral de Notre Dame e ficamos maravilhados com a beleza de sua arquitetura.
Pegamos um trem e fomos até o belo "Palácio de Versailles"; Estendemos o passeio ao Museu do Louvre e percebemos que teríamos que voltar no dia seguinte pois, pelo seu tamanho, não conseguiríamos conhecê-lo num só dia.

O passeio sempre se estendia à compras e, é claro que como toda mulher, não teve loja que eu não tenha entrado; Não escaparam nem os brechós - que, por serem muito interessantes, contribuíram pra que na volta eu tivesse que pagar pelo excesso de bagagem . Rsrs...
Os dias se passavam, fizemos outros passeios e o metrô era o nosso meio de transporte favorito e, por ser muito bem sinalizado, nos dava a garantia de que não nos perderíamos - Realmente um sistema de informação super inteligente que o Brasil deveria adotar.

Também fizemos o passeio romântico, navegando de barco pelo rio Sena, onde pudemos contemplar calmamente os pontos turísticos pelos quais havíamos passado e ao mesmo tempo atentar para o comportamento elegante e tranquilo dos parisienses - Acomodados em bancos de praças a lerem seus livros ou apreciando as embarcações... Tudo isso, embalado por uma trilha sonora tocada por artistas de rua que mais pareciam personagens de um filme... Ou seriam de um sonho?!...

Ao anoitecer, não contentes por ver a torre somente durante o dia, voltamos para apreciá-la e qual não foi a nossa surpresa ao percebermos que a cidade só escurecia nessa época do ano - após as 21:45h.
Só sei que a disposição era tanta que nos pusemos de plantão a contemplar aquele céu de um tom de azul que não tem igual enquanto aos poucos ele escurecia. Algo fascinante! Já de posse dos ingressos, ficamos passeando embaixo pelos belos jardins do parque ao seu redor - Tudo muito bem cuidado - Fato que nos surpreendeu bastante foi não termos visto uma ponta de cigarros ao chão. Realmente foi de tirar o chapéu! Então, eis que escureceu totalmente e a torre foi se acendendo aos poucos e todos começaram a gritar numa euforia, um êxtase total! Fiquei emocionada por aquilo me lembrar Copacabana quando da queima de fogos do Reveillon.
Decidimos subir a torre e lá fomos nós para a fila que já estava formada. Ansiosos esperávamos adentrar o elevador. Conforme ele subia podíamos contemplar um espetáculo de tamanha beleza; uma paisagem fantástica de uma Paris que não tínhamos sequer noção. Com a cidade toda iluminada, as luzes douradas da torre pareciam refletir por sobre ela - Que coisa mais fantástica é Paris à noite!...

Eu chorava e ria, pois ali, naquele momento, finalmente eu realizara um sonho de menina:
Conhecer a "Cidade luz".

Paris, eu jamais hei de te esquecer!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

ORGANIZE-SE! (Frase)


Malu Monte


"Arrume o seu armário interior; Se vc guardar coisas ruins dentro de si não deixará espaço para as boas."

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

AOS AFINS (Crônica)


Malu Monte

Prefiro o brilho da lua à luz do dia.
Prefiro o calor do verão ao frio do inverno.
Prefiro gotas de chuva à lágrimas escorridas pelo meu rosto.
Prefiro lembrar você a me dizer coisas lindas a ter que ouvi-lo praguejar-me.
Prefiro o sorriso sincero da criança do que o de um adulto hipócrita.
Prefiro correr descalça com as sandálias nas mãos do que manter a pose em cima de saltos que me machuquem os pés.
Prefiro a nudez a ter que ostentar vestes que mascarem as formas do meu corpo.
Prefiro tomar uma cerva gelada no boteco da esquina com alguém afim a tomar uma champagne francesa num lugar requintado com alguém que nada me diz.
Acho que não prefiro nada do que os outros também não prefiram... Por conta disso, será que sou tão comum assim?
Claro que não! É que não sou tola a ficar com o que de pior tiver na vida...Faço minhas escolhas pra ficar de bem comigo. E, se elas foram afins, oxalá, que sejam bem vindas, então... Pelo menos não vivo no egocentrismo de querer me diferenciar dos outros pra chamar a atenção.
Sei que gostos são assim e cada um tem o seu, mas o que se há de fazer se nas questões mais banais eles por vezes coincidem?...
Pura bobagem dos que pensam que são únicos nas suas escolhas...
O bom da vida é olhar pro outro e sentir que há retorno.
Por falar em retorno... Ora, bolas!... Isso não é só privilégio do Tim Maia! Hehehe...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O SEU SANTO NOME


Carlos Drummond de Andrade


Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda a razão ( e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.


ESTE É UM EXEMPLO DE QUE EXISTEM PESSOAS COM AS QUAIS TEMOS GRANDES AFINIDADES DE OPINIÕES MESMO QUE NÃO NOS SEJAM PRÓXIMAS.
SEMPRE GOSTEI DO DRUMMOND - POETA, ALIÁS SOU UMA DISCÍPULA DELE, ENTRETANTO, NUNCA TINHA LIDO O POEMA POSTADO ACIMA. HOJE, PUDE CONSTATAR QUE ESTAVA CONECTADA COM ELE QUANDO ESCREVI O TEXTO ABAIXO.
SALVE MEU GRANDE MESTRE!!!!!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

É O AMOR! - Crônica


Malu Monte

Pode até parecer uma canção de dupla sertaneja mas pensei nesse tema ao me deparar com tanta gente a utilizar o verbo amar .
Muitos dizem ter o tal sentimento, mas talvez nem se deem conta da responsabilidade de se proncunciar tais palavras;
Em nossos dias, a utilização da expressão "Eu te amo" tornou-se um grande artifício para se obter algo a mais do outro.
E, porque será que na insistência de dizê-la alguns chegam a banalizar esse tal sentimento chamado amor?
Talvez vocês se perguntem: - Mas não é melhor esse tratamento do que a utilização das práticas violentas que vemos ultimamente?
E eu vos digo: - Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!
Vejam, existem várias formas carinhosas de tratamentos sem que precisemos apelar para algo tão significativo quanto o AMOR.
Seria o mesmo que transformarmos o mais nobre dos sentimentos em algo comum.
Então...
Amar ou não amar eis a questão!...
Não teria sido essa a real dúvida de Hamlet?
Refitam que a grande beleza de se amar alguém é se fazer compreender através das atitudes que utilizarmos para demonstrar aquele amor. Dizer-se "Eu te amo" a um indivíduo pode não ser o suficiente para fazê-lo acreditar. Ao falar e não demonstrar nem vale a pena tentar! Soa falso; O gesto trai o mentiroso.
A veracidade das palavras pode ser muito mais convincente para aquele que espera ser amado através dos atos por nós praticados.
No entanto, doar-se em doses homeopáticas não fará o seu suposto amor entender.
Amor é mais que isso! É sentimento que vem de dentro da alma e que doado ou não, ele estará lá para nos provar o quanto existe e que precisa ser passado a alguém.
E, se esse sentimento for amor de verdade, essa entrega deverá ser feita da forma mais cristalina possível, sobretudo, porque ou o entregamos de corpo e alma ou não terá valido a pena;
Então fica aqui um recado para os que querem ser gentis com o próximo:
Não utilizem essa expressão em vão! Guardem-na com muito carinho e a ofertem a quem lhe for de direito.
E para aqueles que esperam por esse grande amor, lembrem-se do que foi dito por um sábio:
"Para que amemos alguém é preciso que nos amemos primeiro."
De nada adiantará aceitarmos as migalhas desse sentimento - Aquele que as aceita nunca saberá se valorizar.
Afinal...

"AMOR NÃO É SERVIDO EM PEDAÇOS; PRA QUE SEJA AMOR TEM QUE SER INTEIRO."

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

SOLIDÃO A DOIS (Crônica)



Malu Monte


Triste quando se tem alguém que não se pode chamar de par
Este momento é aquele em que nos deparamos com a tal "solidão a dois". Nesse instante você se dá conta de que embora tenha companhia ela é só um número.
Ambos não falam mais a mesma língua - Usam dialetos diferentes.
Antes gostavam das mesmas coisas ou quase todas e, no entanto, hoje isso não acontece mais.
E que, ao tentarem se aproximar, mais parecem cargas iguais pois se repelem imediatamente. Percebe que não tem mais a química de antes. Seus corpos não mais se atraem e, como numa canção de roda, você percebe que o que era doce acabou!...
É...Solidão a dois é isso!... É se ter sem saber o que fazer; Companhia que não tem um porquê; Estar ali e não sentir pra quê. Estar junto fisicamente mas com a mente à viajar por entre mil constelações onde o outro nunca o alcançará.
Quantos de nós não já se sentiu assim?...
Sentir viver num planeta anos luz distante?! Com sorriso amarelo, estampado na face pela lembrança de momentos em que foram felizes?... Se pegar a sonhar de olhos abertos ao ponto de levitar enquanto o outro está ali ao seu lado com pose de fotografia bancando figuração de amante?
Você já se deu conta de que existem certos casais que tentam passar uma imagem irreal e ilusória de romance perfeito?
Na verdade são pares que não mais combinam; coadjuvantes de uma história cujo protagonista não há.
Então, por que não dar-se uma chance ao amor?!

sábado, 25 de julho de 2009

ODE À VIDA!


Malu Monte

Bom dia, luz do meu dia
Flor do meu bem querer
Água que me mata a sede
Ar que respiro

Bom dia, sorriso puro de criança
Meu mar de amor
Abraço que eu adoro sentir
Beijo babado que eu adoro ganhar

Bom dia, sol que me bronzeia o corpo
Chuva que me lava a alma
Calor que me aquece
Silêncio que me faz pensar

Bom dia, relva molhada
Vulcão em erupção
Chave que abriu meu coração
Raio que me faz vibrar

Bom dia rouxinol que canta pra mim
Música que me faz dançar
Amor que me inspira
Inspiração que chega sem eu chamar

Bom dia, anjo tudo de bom
Vida que me faz feliz
Gente que me faz sorrir
Juventude que me faz festejar

Boa noite, minha estrela maior
Brisa que assopra os meus cabelos
Lua que me ilumina
Noite que me faz sonhar.

sábado, 18 de julho de 2009

QUANDO ME VISTE



Malu Monte

Quem poderia supor que naquela noite tudo aconteceria...
E eu que não me dei conta de ser observada;
Tão elétrica eu estava,
A todos cumprimentava,
Em meio a todos passeava,
E não via que pelos teus olhos era filmada.
Segundo você, àquela altura já com o coração acelerado,
A mente hipnotizada por um foco que era eu.
Parecendo até música de compositor mineiro,
Só soube que tudo aconteceu tão ligeiro...
Que meu perfume aspirado por tuas narinas
Despertou em ti os desejos mais calientes.
Viajaste em pensamento por entre céu e inferno num só instante
Buscastes poesia enquanto contavas as estrelas pra me ofertar
Despertavas seus demônios através dos desejos carnais
Sentias o corpo responder aos instintos de macho
Vontades o faziam levitar e nada mais enxergar.
Algo forte iniciou-se ali e enfim planejastes objetivo maior:
Sonhar ter-me pra si numa voluptuosa noite de prazer e amor.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

EU CHORO



Malu Monte


Eu choro muito
Até as coisas mais simples me fazem chorar
Choro de alegria
Choro de tristeza
Choro de dor
Choro de amor
Choro ao ouvir uma bela canção
Choro pelo que sofre sem ter o pão
Choro pela criança sem família
Choro pelos que não tem um abrigo e vivem ao relento
Choro por tudo ou pelo que vale a pena ser chorado
Só não choro pelos que não merecem sequer uma gota saída de mim
Contudo, evito chorar por perdas para acalentar os que sinto frágeis
Porque o meu choro não é de fraqueza
Meu choro é de pura emoção contida
Emoção doida pra sair pelo corpo afora...

"E o que é o chorar senão um desaguar de emoções?!"

quarta-feira, 1 de julho de 2009

MICHAEL JACKSON – “O Homem” x “O ÍDOLO” (Crônica)



Malu Monte

Hoje, ao abrir meus emails deparei-me com um texto no qual se fazia uma crítica contra à apologia de pessoas como Michael Jackson.

Segundo o autor, as pessoas não deveriam enaltecer figuras com histórias de vida manchadas por crimes, tais como estupro, como no caso do cantor em questão. Na sua visão seria o mesmo que aceitar que criminosos continuem impunes diante da sociedade pelo simples fato de serem famosos.

Será mesmo que, nesse caso, os fatos são tão simples assim?!


Por não ver dessa forma as manifestações de pesar pela morte do cantor, resolvi me manifestar a respeito em favor dos fãs que, assim como eu, lamentam a perda prematura de um ídolo.

Penso que na verdade, o que se lamenta não é a morte do cidadão Michael Joseph Jackson - Homem infeliz, com transtornos psicológicos causados em função de uma “infância” triste na qual fora vítima de espancamentos, humilhações e exploração por parte de seu próprio pai que o via como uma “máquina registradora”, capaz de propiciar-lhe uma vida de luxo e ostentação.(Vide filme da vida de Michael)

Toda a comoção vista nos meios de comunicação é pela perda súbita, do artista grandioso, dono de um talento inato, que diante do que temos visto até os nossos dias será difícil substituir-se; Desse artista completo que desde muito pequeno já despontava como um gigante diante de muitos grandes no cenário musicai - Isso numa época em que ainda não existiam recursos tecnológicos. Seu jeito de cantar, dançar, a maneira como aquele garotinho se portava diante de milhões de pessoas era algo "sui generis" e que chamou a atenção do mundo. Algo que muitos críticos apontavam como passageiro à medida em que ele crescesse mas que com o passar dos anos só se reafirmou através de sua criatividade, de idéias que levaram-no a transformar passos por ele inventados em grandes coreografias compatíveis com as apresentadas nos palcos da Broadway, criações para coreógrafo nenhum botar defeito; Acentuadas também pela elaboração de videoclipes que se destacaram dos da época por apresentarem conteúdos Hollywoodianos.

Realmente, não concordo que devamos enaltecer o Michael (homem), no entanto, penso que temos a obrigação de não desprezarmos o artista; De não nos esquecermos de que fomos agraciados com toda a sua trajetória nos cenários musicais, pois, de certa forma, ele também nos presenteou e até faz parte do nosso passado por ter embalado nossos romances, nossos amores e/ou nossas vidas com suas belas canções...

Por fim, para esquecermos Michael Jackson, precisaremos primeiro nos desprendermos de nossas próprias histórias e apagarmos nossas recordações.
Donde conclui-se que...

Esquecer Michael Jackson?... Impossível!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

EU NÃO SABIA


Malu Monte


Quando criança, eu sabia que quando a gente caía e se machucava doía
Por isso era vista como: dengosa, exagerada, metida...
Meu apelido, ainda tens dúvida?!
Ora!...Manteiga Derretida!

O que eu não sabia era que cair e se machucar não era o fim do mundo
Que na vida eu ainda levaria muito tombo
Ao evitar provar o gosto amargo de perder algo que nunca existiu
Conhecer alegria e dor num curto espaço de tempo que se extinguiu.

Quando criança eu não sabia da existência de pessoas criadas em nossa mente...
Tão reais que achamos inadmissível não serem quem pensamos ser, não estarem ali presente...
Impossível se mascararem melhor que os palhaços
E se esconderem atrás de vestes que lhes cubram o rosto.

Hoje, vejo que pessoas são mesmo uma incógnita.
Cada qual do seu jeito e um enigma que, ainda assim, tentamos desvendar
Algumas sensíveis, outras frias como iceberg
Corações de pedra, incapazes de gestos de comoção na dor alheia

Desprezíveis seres que saem por aí a brincar com vidas
A transformarem hábitos e sentimentos
Fazerem amor se transformar em ódio
Alegrias acabarem em tristeza e dor

Mas elas serão mesmo pessoas?
Afinal, como chamá-las,então?
Poxa... E pensar que quando criança eu não tinha sequer noção
De que existisse no mundo tamanha falta de compaixão!...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A DAMA DA NOITE


Malu Monte

Cai a noite e com ela a solidão se divide
Entre o lixo urbano que habita por toda parte
Carros com seus faróis a piscar
Refletidos no brilho do traje da "Dama da Noite"
Que com sua pose saúda os que por ali passam
A qual do outro lado da rua eu fico a observar.

Com suas minúsculas vestes apropria-se do nome
que não o de batismo mas o que por ela fora escolhido
Acho que na espera de uma noite de amor bandido
Acompanhada de seu sustento seja lá que amor for.

Sente-se como uma manequim de vitrine
Que da calçada faz sua passarela da moda
Frente ao público que examina de forma minuciosa
Cada curva e ondulação por ela ali exposta.

Dos seios que pulam de um profundo decote
Ou de suas pernas totalmente à mostra já pronta pro bote
Numa envergada de corpo pergunta ao admirador
Se quer desfrutar naquela noite do seu amor.

Recebe o olhar maldoso do homem faminto
Censura das mulheres ditas de boa conduta, enfim...
Se analisada vejo que nada faz de tão ruim e anormal
Afinal, perante uma sociedade hipócrita e amoral.

Se comparados aos trajes das jovens de hoje em dia
Em nada diferem dos usados por essa tal criatura
Que mesmo julgada como impura,
faz disso sua profissão in natura
Não estou aqui pra defendê-la, não!...

Preste atenção cidadão!...
A diferença é que ela cobra
por aquilo que outras, após uma boa manguaça,
Fazem com o parceiro da vez até de graça
sem sequer seu nome perguntar e nem sua profissão.

sábado, 30 de maio de 2009

ASCENSÃO


Malu Monte


Enfim é outono...Folhas caídas ao chão
Eu, como convicta geminiana
Expurgo de minh'alma os resquíceos desse inferno astral.
Nada pra dar certo ultimamente,
Tudo tão confuso em minha mente
Planos que foram pelo ralo da minha vida
Tanta ilusão que brotou e acabou perdida
Embrenhei-me em devaneios toscos
Sem pensar dei mais que recebi
Pra que isso tudo pelo que passei
Se alguns dizem que é preciso
Mas ninguém nunca prova o porquê?
Horas perdidas jogadas ao léu
Sonhos que pensei e não sonhei
Na verdade revendo até acho graça
No circo da vida, serei eu palhaça
A fazer rir sem saber pra quê?!
Mas porque me permitir isso tudo
Simplesmente pra provar que sou guerreira
Ao aguentar cada rojão
Qual nada, tudo pose de mulher
Que se diz dona de si
Mas que quer a proteção de alguém.
São como antíteses entranhadas em mim
Que não sei até quando irei suportar
A mágoa de tentar e perder
A vontade de vencer sem se machucar
Descortinar o véu que me protege
Da aura de santa e casta criatura
E por pra fora a dama da noite impura
Mas que dela espero me sustentar
E num patamar do qual a vida não me derrube
E eu possa ascender, aprender cair e levantar.