quarta-feira, 10 de junho de 2009

EU NÃO SABIA


Malu Monte


Quando criança, eu sabia que quando a gente caía e se machucava doía
Por isso era vista como: dengosa, exagerada, metida...
Meu apelido, ainda tens dúvida?!
Ora!...Manteiga Derretida!

O que eu não sabia era que cair e se machucar não era o fim do mundo
Que na vida eu ainda levaria muito tombo
Ao evitar provar o gosto amargo de perder algo que nunca existiu
Conhecer alegria e dor num curto espaço de tempo que se extinguiu.

Quando criança eu não sabia da existência de pessoas criadas em nossa mente...
Tão reais que achamos inadmissível não serem quem pensamos ser, não estarem ali presente...
Impossível se mascararem melhor que os palhaços
E se esconderem atrás de vestes que lhes cubram o rosto.

Hoje, vejo que pessoas são mesmo uma incógnita.
Cada qual do seu jeito e um enigma que, ainda assim, tentamos desvendar
Algumas sensíveis, outras frias como iceberg
Corações de pedra, incapazes de gestos de comoção na dor alheia

Desprezíveis seres que saem por aí a brincar com vidas
A transformarem hábitos e sentimentos
Fazerem amor se transformar em ódio
Alegrias acabarem em tristeza e dor

Mas elas serão mesmo pessoas?
Afinal, como chamá-las,então?
Poxa... E pensar que quando criança eu não tinha sequer noção
De que existisse no mundo tamanha falta de compaixão!...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A DAMA DA NOITE


Malu Monte

Cai a noite e com ela a solidão se divide
Entre o lixo urbano que habita por toda parte
Carros com seus faróis a piscar
Refletidos no brilho do traje da "Dama da Noite"
Que com sua pose saúda os que por ali passam
A qual do outro lado da rua eu fico a observar.

Com suas minúsculas vestes apropria-se do nome
que não o de batismo mas o que por ela fora escolhido
Acho que na espera de uma noite de amor bandido
Acompanhada de seu sustento seja lá que amor for.

Sente-se como uma manequim de vitrine
Que da calçada faz sua passarela da moda
Frente ao público que examina de forma minuciosa
Cada curva e ondulação por ela ali exposta.

Dos seios que pulam de um profundo decote
Ou de suas pernas totalmente à mostra já pronta pro bote
Numa envergada de corpo pergunta ao admirador
Se quer desfrutar naquela noite do seu amor.

Recebe o olhar maldoso do homem faminto
Censura das mulheres ditas de boa conduta, enfim...
Se analisada vejo que nada faz de tão ruim e anormal
Afinal, perante uma sociedade hipócrita e amoral.

Se comparados aos trajes das jovens de hoje em dia
Em nada diferem dos usados por essa tal criatura
Que mesmo julgada como impura,
faz disso sua profissão in natura
Não estou aqui pra defendê-la, não!...

Preste atenção cidadão!...
A diferença é que ela cobra
por aquilo que outras, após uma boa manguaça,
Fazem com o parceiro da vez até de graça
sem sequer seu nome perguntar e nem sua profissão.