terça-feira, 19 de outubro de 2010

COMA


Malu Monte


Caminho a largos passos
Na areia sugada pelo mar meus pés se afogam
Deixo rastros apagados pelas ondas
Enquanto ouço o barulho do silêncio
Em meu peito só lembranças são presentes
De repente uma música toca em minha mente
A mesma que há tempos ouvi
Em companhia de alguém especial
Assim, viajo em pensamentos
Tudo parece tão real
Que nem me dou conta de que as horas passam
E a lua se despede de mim
Enquanto sou saudada pelo astro rei
Que ilumina meus cabelos dourados
E acorda meus olhos
Fazendo-me despertar para o que aqui está
E de volta ao planeta vida
Meio que ainda enebriada pelos sonhos
Desperto aos poucos para esse instante
E me vejo preencher o espaço vazio
Como se acabasse de acordar de um coma
Do qual nunca tivera a intenção de voltar.

A MOÇA DA JANELA


Malu Monte


E da janela ela espia a paisagem
De braços apoiados ela vive a suspirar
Ele do outro lado da rua nem vê
Que é filmado em detalhes como os de uma tv HD
E em vestes de farda faz pose de guerreiro
Enquanto ao viajar em seus delírios
Ela se sente a própria mocinha
Do herói dos filmes de hollywood
Mas não leva muito tempo e chega uma talzinha
Que com atitude decidida
De mãos nas cadeiras posa de açucareiro e lhe dá decisão
E o mocinho diante de tal situação
Perde então a sua pose de macho
E cabisbaixo mal parece um cão vira latas
Lá se vai o tesão da nossa moça rio abaixo...
Só sei que diante de tamanha frustração
Nossa donzela fecha a janela e em profunda exclamação
Roga-lhe uma boa praga pela decepção
Então faz jura de esquecer o tal herói
E de outra vez se interessar por um vilão.
E pra você que pensa que a história acabou assim...
Ainda volto pra contar esse desfecho
Mas não se avexe não porque pelo que vejo
Isso não vai acabar tão cedo!...