quarta-feira, 28 de novembro de 2007

COMO OSTRAS E PÉROLAS


(Malu Monte)

O silêncio do meu quarto me faz refletir
Desperto e sinto-me como uma ostra

Aproveito-me dessa fria chance
Repenso cada passo que por mim foi dado

Meço em centímetro todo o meu pecado
Vejo que quando eu mais me doei só tropecei

Por entre pessoas e situações adversas
Fui protagonista de uma antítese.

Numas reconhecimento e noutras decepção em forma de promessas
Sei não haver para os desencantos uma só explicação.

No entanto, eu devo ter errado na mão.
Talvez eu tenha posto um ingrediente a mais na receita que criei.

De repente ouço uma voz que diz:
-Acorda pra vida poeta!...
É hora de sair da concha em que estás!

Conseguirei livrar-me dessas tais feridas?
Será, mesmo, necessário eu machucar a ostra pra retirar a pérola?

Nesse mundo, muitos contemplam a beleza da pérola;
Poucos avaliam o sacrifício da ostra.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

PONTO DE INTERROGAÇÃO


(Malu Monte)


Que vazio é esse que habita meu coração?
Como um porto sem navio;
Uma rua vazia de gente;
Um beijo dado sem paixão.

Que tristeza é essa que sangra no meu peito?
Um aperto, um nó na garganta;
Uma vontade louca de chorar;
Sem ter lágrimas para extravasar.

Que sentimento é esse que toma conta de mim?
É como ter vários braços sem ter a quem abraçar;
Ter felicidade e não ter com quem compartilhar;
Tanto amor sem ter pra quem se dar.

Será que os Deuses Mítológicos poderão me ajudar a desvendar?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

MENINA


(Malu Monte)



Menina, cadê a boneca?
Cadê o beicinho
O sorriso maroto
A carinha sapeca
Menina, cadê?

Cadê meu chamego?
O meu aconchego
O meu cafuné
Menina, cadê?

O príncipe encantado
O primeiro namorado
O beijo sem língua
Menina, cadê?

O susto do orgasmo
Do sangue sem machucado
O porquê dos por quês
Menina cadê?!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

CARTA A UM JOVEM AMIGO


(Malu Monte)

Jovem amigo, quando deixo o meu pensamento viajar
De cada estrela que conto eu acrescento o brilho do teu olhar

Por entre inúmeras estradas eu busco uma que me leve até você
Às nossas diferenças eu sempre tento somar um porquê

Da tua juventude em forma de pequenos versos eu busco aprender
Da vida que vives eu quisera só um segundo pra poder viver

Sorriso nos lábios, que tu tanto gostas, eu hei de carregar comigo
Porque os momentos felizes que compartilhamos eu sempre irei lembrar

Você com sua doce/sábia juventude e eu com a minha alegria de viver
E mesmo que um dia nós nos afastemos por conta do destino, amigo

Por certo o meu caminho sempre encontrará um jeito de cruzar o teu
Porque estaremos sempre premeditados a ficarmos perto

Ainda que esse perto nos custe uma imensa distância física
Entre o que Deus planejou e aquilo que ele nos concedeu.

CADÊ VOCÊ?


(Malu Monte)

Por onde você andou enquanto eu te procurava?
Em que estrela você se escondia quando neste mundo eu vim parar?
É como se tivéssemos vivido outra vida juntos
Será que já nos esbarramos num desses descaminhos?

Vivemos, agora, numa época bem diferente
Você tão menino e eu mulher madura...
Parece que já nos conhecemos há tanto tempo!...
Nossas idéias são tão afins, mas que loucura!

Temos a mesma percepção de mundo
Rimos de tudo e pra tudo quando conversamos
Nem me preocupo com o que está à nossa volta
Volto a ser criança quando juntos estamos

Mas como se estamos divididos entre tempos tão distantes?...
Sinto como se tentássemos alcançar algo inatingível
E que os nossos sonhos estivessem tão longe...
Será que não era mesmo pra sermos amantes?

É como se tivéssemos que viver esse sentimento de forma platônica
Em que o imaginário nunca nos daria permissão ao que é real
Ou quem sabe já vivemos esta paixão e não nos demos conta disso?...
Será que fomos amantes em algum outro plano astral? Será?!...

Ah!... Se eu pudesse parar o tempo só pra te esperar!...
Se ao menos eu tivesse a chance de renascer...
É loucura, eu sei, mas recriaria a minha vida
Daria um novo rumo ao meu caminhar

Viveria num tempo em que eu nunca vivi
Novamente seria apresentada ao verbo amar
Quem sabe a única solução seja eu me congelar pra te esperar?

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

PURA AMIZADE


(Malu Monte)

Não quero que me vejas como santa, casta.
Quero sim, que penses que meus pensamentos
Não dão moradia ao que é cruel, indigno, incorreto

Quero que entendas que o amor que a ti oferto
Não é o amor carnal de uma fêmea torrente de paixão

Distribuo amores por aqueles a quem acho que os mereça
Vislumbro amizade na mais límpida concepção da palavra
Coisa de coração pra coração, uma espécie de amigo-irmão

Talvez tu não consigas alcançar o meu sentimento
Mas tenha a certeza de que a todo momento
As mensagens que te mando estão repletas de energias de bem querer

Pessoa linda que Deus escolheu pra me apresentar
Só ele, o criador, sabe o que é melhor a cada um de nós

E pode estar certo de que quando nos uniu não foi por acaso
Que com a sua amizade resolveu me presentear.

Amo você!

(Malu Monte)

Segura-me em tua mão
Prenda-me por entre teus dedos
E eu me deitarei nesse branco leito
Estendido por sobre a mesa
E desvendarei todos os teus medos,
Os dissabores pelos quais passaste,
Sentimentos platônicos que um dia vislumbraste
Teus afetos bem ou mal resolvidos,
Tuas paixões não correspondidas
As emoções que por ti foram contidas
Desejos que se tornaram tão reais
Embora tudo às vezes tão antagônico...
Quereres reprimidos ou não
Tu sabes, coisas da emoção!
Prometo, por fim, traçar uma linha tênue entre o teu cérebro e coração
Que chegará até mim, pelo simples manuseio de tuas mãos.

Assinado: A CANETA.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

QUEM É ESSA MULHER?


(Malu Monte)

Que mulher é essa
Que passa com um corpo que rebola
Que a todos encanta
Com sua cara de santa
Mas pestinha como o quê?...

Que mulher é essa
Que tem covinha no rosto
Jeito sapeca ao dançar
Dentes brancos como neve
E sorriso de quem sabe viver?

Que mulher é essa
Madura na idade
Energia de criança levada
Transbordante de carisma
Juventude a esbanjar?

Que mulher é essa
Linda criatura
Anjo de candura
Perfumada como flor
Gesto suave ao acarinhar?

Que mulher é essa
Alegria que a todos contagia
Que mexe, remexe a cintura ao andar
Que no bailado de seu corpo
E ao balançar os cabelos consegue hipnotizar?

Simples desvendar os segredos desta mulher
Ora, esta mulher vem do sentimento de quem a vê
Ela vem de dentro pra fora
Basta você o querer
Essa mulher?... Ah! Essa mulher está dentro de você!

MUITO PRAZER DONA SOLIDÃO!



(Malu Monte)

E eis que me dou conta de que ela está lá...
Como pode estar se estou só?
Mas ela não deixa rastro
Maltrata pelo demorar do tempo
Faz-nos refletir ao escutar o som que o silêncio traz.
E não é que ela está lá?...
Num canto quietinha a me olhar.
Eu inocente nem a percebo
Mas ela está e eu posso sentí-la
A dor da tristeza aperta o meu peito
Alegria bate na porta mas nem é atendida
Ela não permite ninguém entrar.
E não é que ela está lá?...
Num canto quietinha a me olhar
Em momentos breves se faz necessária
Nos longos sua presença só incomoda
Não conheço quem queira alongar esta companhia
Imaginar repartir-se um tempo que não quer passar
E não é que ela está lá?...
Num canto quietinha a me olhar!