segunda-feira, 29 de outubro de 2007

CONSELHOS DE UM BEIJA FLOR



Malu Monte

Um dia um beija flor me disse:
-Por que choras, linda flor?
Eu lhe respondi com o olhar:
-Porque levaram a minha paixão
Ele então me respondeu:
-Chora não, coração!
Logo virá um outro amor!
Que com a força de um guerreiro
Te arrebatará das garras dessa tristeza
Te trará toda a alegria
Te devolverá o brilho dos olhos
Que o outro furtara com frieza
E no calor de seus abraços
Esquentará o frio que por ventura tu vieres a sentir
Palavras belas em teus ouvidos há de ouví-lo sussurrar
Beijos melados e ardentes
Com ele tu hás de saborear
Fará da tua noite uma criança
Que só estará ensaiando um caminhar
De teu corpo explorará o jardim
E fará com que tu sintas ocultos prazeres
Nunca antes experimentados em outros quereres
Sabores e essências sedutoras tu inalarás assim
Mas não se iluda com isso pois tudo o que começa há de ter um fim
Porque com um rompante e sua espada empunhada ele partirá
E em tua pele deixará gravada a marca do amor e da dor
Pensarás ingenuamente que não haverá de ter substituto
E que tu jamais o esquecerá
Até que um dia enfim descobrirás
Que a saga do amor não tem tempo pra acabar
Bastando que permitas à outra história um recomeçar
.

O POEMA QUE EU NÃO ESCREVI


(Malu Monte)

Eu ia escrever versos tristes
Desses que fazem o coração sangrar.

Que te fazem sofrer e até chorar
Daqueles que te deixam meio assim...

Olhei-me no espelho
E um filme passou inteirinho em minha cabeça

Lembrei-me do quanto sou amada
De quantos momentos felizes já vivi

Quantas boas gargalhadas já dei
De quantas delícias da vida eu já provei

Lembrei-me das palavras de carinho que já ouvi
Dos tantos sufocos aos quais sobrevivi

Os momentos de amor dos quais deleitei-me de prazer
De como sou querida e do quanto sei querer

Dos meus carinhosos e fiéis amigos
Da alegria de não ter feito inimigos

Lembrei-me da relva molhada
As flores que brotam no jardim da minha casa

Do meu belo cão companheiro fiel
As estrelas que brilham lá no céu

Do sol a refletir seu brilho nas ondas do mar
Das poesias que fizeram só pra mim

E de todas as coisas das quais estou a fim
De tudo o que pra minha vida planejei

Do que ganhei quando fiz sem pensar em merecer.
Parei e pensei:
É, amiga, escrever coisa triste... Pra quê?

PINTANDO MONET


Malu Monte

Eis que a noite virou dia
E eu sentada ali à beira daquele riacho
Fiquei a contemplá-lo e a recordar você
Tentando reproduzi-lo numa tela de Monet.

Viajei dando cores àquela paisagem em preto e branco,
Há muito,adormecida nas minhas lembranças
Era como se eu desse som aos pássaros pintados inertes;
Criasse movimentos pras águas daquele riacho doce onde outrora nos banhávamos

Certeza eu tinha,de que não éramos meros contempladores daquele cenário.
Por certo, havíamos sido convidados pelo artista à compormos aquela tela.
A paisagem que ali estava, não teria a menor graça sem o côncavo e o convexo de nossos corpos.


Nesse instante, senti você ao meu lado;
E, naquele momento de pura magia...
Logo eu, que dera vida a tudo,
Ficara estática e, como um iceberg - fria.
Deixei-me empregnar pelo teu cheiro que invadia minhas narinas.

E o meu delírio deu lugar a uma dor, um pranto,
Que se instalou em minh'alma e apertou meu peito já ofegante
E como que num surto, rompante,
Seu beijo arrebatador fez-me acordar;

Foi então que ao despertar eu pude perceber;
Que tudo não passara de um lindo sonho;
No qual eu acabara de fazer
Um mergulho íntimo da minha vida
Ao transportar-nos para uma tela de Monet.

sábado, 27 de outubro de 2007

PÁSSARO FERIDO


(Malu Monte)

Voa pássaro ferido;
Cura esse coração partido;
Tenta refazer o caminho tortuoso por onde tu passaste;
Vá até o ponto em que tu erraste.

Não é porque tudo deu errado que vais fraquejar e deitar-te num leito;
Sinta a força interior que guardas no peito.
Lute até a exaustão mas não a deixe escapar;
Você pode e deve, basta querer acreditar!

Alcance a ponta do nó que se partiu em você;
Isso mesmo! Comece do zero. Pague pra ver!
Que tal amarrá-la pra não cair?
Não tenhas vergonha de admitir: Eu errei e daí?...

Alguém te tocou, te cravou um punhal e te feriu, eu sei;
Mas você pode e deve fazer a sua própria lei.
A de transformar em renascer as dores do sofrer:
E que te ressurgirá das cinzas, assim: bela e formosa, linda de viver!

Não uma lei da vingança igual a de quando se era criança.
Enxugue as lágrimas, abra esse lindo sorriso;
É só disso que preciso.
Vá minha Fênix, voa, renasça das cinzas, namora com a esperança!

NÃO CHORE


(Malu Monte)

Não Chore linda criança
Por achar que ainda era cedo
Pra lhe tomarem o brinquedo
Que acabara de ganhar.

Não chore linda criança
Pelo beijo que não provou
O perdão que não alcançou
Por aquilo que não pôde tocar.

Não chore linda criança
Pelas juras de amor em seu nome não cumpridas
Pela mágoa em você contida
Por ter desistido antes mesmo de começar

Não chore linda criança
Pela falta do abraço que não lhe foi dado
Pelo respeito que por você foi conquistado
Por conta das loucuras que deixou de praticar.

Não chore linda criança
Pelo amor não correspondido
Por sentir seu coração partido
Pela lágrima que você não soube controlar.

Não chore linda criança
Enxugue o pranto e acredite
Tudo na vida passa
Afinal, não existe desgraça
Que não se possa superar.

SÚPLICA


(Malu Monte)

Na calada da noite,
meu pensamento me transporta
a um mundo mágico,
mergulho no meu íntimo.

Na calada da noite,
sinto o disparo do meu coração,
sedento de paixão...
me enlouquecendo com alucinações
que parecem tão reais,
mas que não passam de conseqüências
daquilo que foi
sem nunca ter sido
e quem sabe...ainda será?

Na calada da noite,
ouço um grito,
súplica de amor.
Toco meu corpo,
fico em silêncio,
atenta ao que ele diz.
Chego a conclusão:
Ainda que sofrendo, eu sou feliz!

METADE DE MIM



(Malu Monte)

Metade de mim é criança
A outra metade mulher
Metade de mim é pintada
A outra é cara lavada
Metade de mim é alegria
A outra metade tristeza
Metade de mim é narcisa
A outra nem quer espelhos
Metade de mim é juízo
A outra inconseqüência
Metade de mim é cautela
A outra metade é perigo
Metade de mim é sossego
A outra metade tumulto
Metade de mim é passarela
A outra metade favela
Metade de mim é fortaleza
A outra metade frágil
Metade de mim é poder
A outra metade pobreza
Metade de mim é solidão
A outra metade acompanhada
Metade de mim é paixão
A outra é só amor
Metade de mim quer você
E a outra metade, também!

DECLARAÇÃO DE AMOR AO RIO


















(Malu Monte)

Rio meu Rio moreno, por ti eu tenho um grande amor.
O Cristo nos recebe de braços abertos... OH! Cristo redentor!
Tanta brejeirice, tanta meninice num sorriso de rara beleza;
Rio tu és pequeno, mas é grande a tua riqueza.

Cidade Maravilhosa, da mulata formosa, de corpo escultural;
Da loirinha sereia, que desfila na areia, com biquíni fio dental;
Tuas belas paisagens são regadas de um mar a se expandir;
Rio a natureza veio aqui a passeio e não teve sequer coragem de se despedir.

Problemas, quem não os tem? Com certeza tu também terás!
Ainda mais quando já não se é tão "novo";
Novo não, mas jovem tu sempre serás!