segunda-feira, 26 de abril de 2010

EU TIVE UM SONHO


Malu Monte

Noite dessas eu tive um sonho
Sonhei que levitava por entre nuvens
E elas formavam pessoas a me saudar.
Até vi rostos que marcaram minha vida
Minha amada mãe estava lá.
Revi amigos que já se foram,
Outros que ainda estão por aqui
Ídolos que partiram faz tempo...
Outros nem tanto tempo faz...
Amores que se foram ao longo da minha história
Era como se através de sorrisos
Dissessem-me algo que eu não sei decifrar
Mas sinto não ser nada ruim, ao contrário,
Pelas fisionomias assim eu pressentia
E eu até que me ria sem nada dizer
E daquele episódio que de certa forma me elevou o astral
eu tive que acordar
Confesso ter tido vontade de voltar a dormir
Terá sido apenas só mais um daqueles sonhos gostosos de se sonhar?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O HOMEM DO TERNO AMARELO


Malu Monte


Mas que figura estranha
Que passeia pela avenida Graça Aranha
Todos os olhares pra ele se voltam
E o tal nem se dá conta de sua façanha

Mas que sujeito danado de bizarro
Faz de tudo pra se deixar notar
Pelas suas experiências vividas
Tira da cicatriz deixada por suas feridas
O prazer de ter o que depois contar

Criatura que de bom gosto nem tem o quê
Mistura aqui e ali tudo sem noção
Mas só pra chamar a atenção
Usa e abusa sem de moda nada entender

E esse terno amarelo, então...
O que é aquilo, me diga cidadão?!
Só falta colocar uma jaca no pescoço
Porque de longe já se avista o moço
Que mais parece um letreiro de cerca de alta tensão

E o sujeito que de pacato nada tem
Ainda pisca seus olhos vesgos e sem ter um vintém
Investe nas moças e tenta seduzir a mais casta
Sem óbvio enxergar aquilo que lhe falta
Só achando que se basta!...

A vontade que tenho é dizer a esse senhor
Que faça um favor pra si e pros outros
Tinja o tal terno amarelo de outra cor
Pois esse tom de ouro está um horror
Mais parece um E.T. saído de um disco voador.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

FLORES


Malu Monte

Tenho flores para te dar
Cada qual com o seu perfume
São elas: Rosas, lírios, bromélias
Todas representam o meu querer

Tenho flores para te dar
Não importa se jamais as dei
Agora sinto essa vontade e vou fazê-lo
Um ato verdadeiro e isso é o que eu sei

Tenho flores para te dar
Percorri quase mil léguas pra chegar até você
Preciso te provar o quanto és importante
Através delas traduzirei num só gesto o que és para mim

Tenho flores para te dar
Ignoro o valor que isso me custou
Cada qual representa um segundo do meu orgulho
Mas faz-me lembrar o que dia após dia descubro em ti

Tenho flores para te dar
Não ligue se por acaso eu chorar
Sou romântica e nutro-me disso pra viver
Sinto nas batidas do meu coração o sentimento falar

Tenho flores para te dar
Hoje sou pétala da rosa que você retirou os espinhos
Sou como a força da preamar
Feliz por estar viva e cheia de amor a declarar

Tenho flores para te dar
Mas se não as quiser, paciência, eu entenderei
Seguirei o meu caminho em paz
E, quem sabe, noutro jardim plantarei
As tais sementes das flores que tu não quiseste aceitar.