sábado, 29 de dezembro de 2007

ONDE ESTÃO OS VALORES HUMANOS? - Crônica


(Malu Monte)

Estava eu pensando cá com os meus botões... Quando me dei conta dos anos que vivi, das pessoas que conheci, daqueles rostos pelos quais me encantei, daqueles para os quais olhei e nem notei...

Percebi que a vida vai passando e não só o tempo foi levando com ele o frescor da juventude em alguns daqueles rostos, como também, levou algo que considero como de um valor inestimável: "O amor ao próximo".

Muito culpa-se a nova geração por não possuir certos valores éticos e morais de outrora, mas vejamos: Quem os passaria pra essa juventude senão aqueles mesmos "velhos rostos" aos quais me referi? Aqueles que ontem vivenciaram esses valores hoje tão escassos!...

Lembro-me que quando criança minha mãe dizia: -Isto não é conversa pra criança! - e eu achava um "saco" não poder participar da conversa sem me dar conta de que talvez esse fosse o ponto em que era imposto o limite que falta hoje.

Também me recordo de que a mim foram ensinados valores, como por exemplo: "Não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem a você"- Este talvez seja um dos mais brilhantes ensinamentos que deveria ser passado, sempre, de pais para filhos;
O cumprimento diário - Será que os mais jovens sabem o que seja isso?
Tempos atrás dizíamos: - Bom Dia! Boa Tarde! Boa Noite! Olá! Tudo bom? Como vai? Entrava-se num elevador e fazia-se essa prática e todos respondiam. Hoje, ao contrário, eu me deparo com situações constrangedoras ao ver pessoas que ainda carregam esses tais valores de criação se chocarem com a frieza pela falta da resposta.

Usamos a internet para tantas coisas interessantes mas acabamos por esquecer de coisas tão simples, que podem soar, aos nossos ouvidos, como uma linda melodia. Eu iria mais longe em vê-lo como um gesto de amor de ser humano pra ser humano!

Vivenciei há bem pouco tempo uma situação do gênero; Ao fazer aniversário, percebi que mesmo as datas de anivesários estando estampadas em forma de lembretes em nossos perfis do Orkut, alguns amigos pessoais que costumam acessar diariamente o site, nem se tocaram em dizer-me um simples: PARABÉNS!

Disso tudo eu retirei uma grande lição: Valorizar muito os meus amigos sem, contudo, separá-los por categorias: virtuais ou pessoais. Acho tal prática injusta pois considero amigo verdadeiro aquele que busca através de um simples gesto demonstrar o quanto somos importantes pra ele; O quanto mais um ano de nossa vida lhe é precioso!

Hoje, finalmente, posso dizer que sinto-me sensibilizada e grata com tantas manifestações diárias de calor humano por parte dessas pessoas verdadeiras as quais prefiro qualificar como: AMIGOS REAIS.

sábado, 22 de dezembro de 2007

NÃO ESPERE (Letra de música)


(Malu Monte)

Não espere de mim declarações de amor
Não espere de mim o remédio pra sanar a tua dor
Não espere...

Eu sonho apenas com coisas que eu não sei falar
Faço minha viagem sem comprar passagem
Cuido apenas pra não manchar a minha imagem
Que é pra quando vc conseguir me enxergar

Não espere de mim desatar um laço apertado qualquer
Não espere de mim ingenuidade de mulher
Não espere...

Enquanto por esses caminhos eu percorrer
Quantos deles eu tentarei uma emoção
Vou fincar a minha flecha no teu coração
Vou buscar algo pra de vez te surpreender.

Não espere de mim palavras com algum sentido
Não espere de mim engolir o meu próprio grito
Não espere...

Eu procuro não seguir por estradas retas
O imaginário aguça mais e mais as minhas metas
Prefiro as curvas porque elas me reservam surpresas
Isso é muito bom, eu sei, é sim!... Acorda algo dentro de mim

Não espere de mim alegria quando tudo está incerto
Não espere de mim que eu te dê algum afeto
Não espere...

Eu falo as verdades que saem através da minha emoção
Com garras felinas eu as arranco do peito sem explicação
Nas telas que faço uso e abuso das cores das tintas
Sangra vermelho coração torrente de paixão!

Não espere a chuva pra poder valorizar o sol! (Falado)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

SE TU ME DESSES


(Malu Monte)

Se tu me desses a vida...
Eu te nomearia o meu sol
E aproveitaria cada raio seu
Até que caíssem as primeiras gotas de chuva

Se tu me desses a chuva...
Eu o convidaria para nos banharmos nela
E juntos lavaríamos nossas almas;

Se tu me desses a tua alma...
Eu a levaria como o vento leva as folhas
E varreria todas as tuas mágoas brindando com um cálice de vinho;

Se tu me desses uma garrafa de vinho...
Eu tomaria o melhor porre do mundo em sua companhia
E beberíamos até nos exaurirmos de tanto chorar;

Se tu me desses motivos pra chorar...
Eu curtiria cada lágrima que rolasse no meu rosto
Porque eu saberia que elas não seriam por desgosto;

Se tu me desses o teu corpo...
Eu viajaria em cada curva
Seria a capitã da embarcação que navegaria em teu mar
Ancoraria o meu barco num porto chamado amor;

E se tu me desses o teu amor...
Eu o guardaria bem guardadinho dentro de uma caixinha mágica chamada coração
Esconderia a chave num cofre cuja senha só eu soubesse a combinação;

E se tu me desses ADEUS...
Eu o aceitaria, porque sei que tudo tem o seu prazo de validade
E nesse caso o nosso infelizmente, venceu!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

MUITO PRAZER!


(Malu Monte)

Então seu moço,
Vou lhe dizer como sou:
Sou fêmea vaidosa que gosta de se enfeitar
Que não sai de casa, sem antes a boca pintar.
Mergulho fundo nas emoções
Ponho pra fora todo o sentimento
Transbordo de paixão, a todo momento
Choro de tristeza ou de alegria, em cada versejar
Acredito que sonhar é viver e viver é sonhar.
Sentimentos caminham lado a lado, dentro de mim
Criança e mulher juntas num só ser
Só sei que de tudo na vida eu tiro um prazer.
Por vezes, sou meiga e, noutras, ponho a me rebelar
Quando diante de algo que não concordo, ajo com teimosia
Em certos momentos, curto a passividade e transformo-a em poesia
Aqueles que são meus amigos guardo sempre no meu coração
Mas, os mal intencionados dou corda e fico a ver até aonde irão
Num dado momento, puxo-a e jogo-os ao chão.
Menina moleca a correr de pés descalços
Chique princesa, escorrego sem nunca cair dos saltos.
Sou livre como um pássaro
Ninguém conseguirá me aprisionar
Também,não é pra menos,
Sou mulher de gêmeos,
Sou do signo do ar!...

EU GOSTO



(Malu Monte)

Gosto de gente com sorriso de sol
Gente que irradia luz no olhar
Que me faz acreditar que tudo é possível
Mesmo que a possibilidade esteja distante de se conquistar.

Gosto de gente que sorri quando chora
Que chora quando sorri
Que ao me fitar passe boas energias
sem que pra isso eu precise pedir.

Gosto de gente que usa de sinceridade
Sem confundi-la com falta de educação
Que me diga as verdades
Sem ferir o meu coração.

Gosto de gente que curte o luar
Que gosta de estrelas e ao contemplá-las
Navega em pensamentos cheios de imaginação
Mesmo sabendo que não poderá tocá-las.

Gosto de gente que preserva o jeito criança
sem ignorar a maturidade que a vivência lhe deu.
Que divide a sua felicidade com os que ama
que na vida mantém acesa a chama
Gente que cumpre o que prometeu.

Gosto de gente como você!

SONHO REAL




















(Malu Monte)

Um dia vi você se afastar e me calei
Calei-me ao vê-lo sumir na escuridão da rua
Enquanto ouvia o barulho da chuva que caía lá fora
Olhei-me no espelho completamente nua
Com lágrimas a escorrer pelo meu rosto que pareciam a mesma chuva
E tomada por um fúnebre e profundo desgosto
Jurei assim como quem não quer jurar
Trazê-lo de volta ao meu mundo
Pois você não sairá de mim esteja onde estiver
Já que é a minha melhor parte que um dia hei de resgatar
Nem que pra isso eu tenha que me desdobrar
Pra por no concreto o sonho de voltarmos a um só ser.

QUEM É VOCÊ?


(Malu Monte)

Quem é você que entrou e sem pedir licença invadiu meu coração?
Você que não pagou sequer o pedágio exigido
Despertando em mim os instintos mais sem sentido
saciando a sede da minha paixão.

Quem é você que meus desejos vem despertar
Que aguça a minha libido
E sem que eu tenha concedido
Meus segredos vem descortinar.

Diga, quem é você criatura pagã?
Ora veja, não pagou sequer o pedágio exigido
E ainda que eu não tenha o acesso lhe permitido
Entrou, assinou o ponto e se foi pela manhã.

Quem é você que chegou de mansinho e tomou conta de tudo assim?
Quem dera eu soubesse a resposta pois não estaria a lhe questionar.
Pelo menos deixe uma pista pra mim!...

O AMOR


(Malu Monte)

O que é esse tal de amor?
Será que alguém conseguiria me falar?
Todos amam, cada um a sua própria maneira;
Uns pensam que é pura brincadeira;
Outros que dá dor no coração.
Mas eu garanto que não dói não!...
Amar... Ai como é bom amar!...
Só quem já sentiu esse gostinho poderá confirmar!

FALE DE MIM


(Malu Monte)

Pode falar de mim.
Fale dos momentos em que eu fui ausente;
Mas não esqueça daqueles em que me fiz presente.
Fale das minhas imperfeições dignas de humanos;
Fale da minha vida e dos meus desenganos.
Fale do meu desejo de abraçar o mundo sem medir sua extensão;
Mas cá pra nós, não é que eu tenho a minha razão?...
Fale do meu jeito criança, meio moleca, que às vezes estrapola;
Mas reconheça que por conta dele eu fiz grandes amigos na escola.
Fale do meu sorriso, da minha alegria de viver;
E que, segundo você, te faz enlouquecer!

ANARQUISTA


(Malu Monte)

Tenho alma de anarquista
Você não me conhece.
Prefiro o proibido, os balões, os fogos de artifícios
O fogo ardente de vorazes paixões.
Prefiro os filmes fortes de glória
Neles sou a mocinha que se apaixona pelo bandido da história.

DOCE DESEJO


(Malu Monte)

De repente eu me vi assim
Frente a frente ao desejo;
Garganta seca, ventre molhado;
Um cheiro de cio pairava no ar;
Você me traz um mistério que eu não sei desvendar.
E me prende em teus braços;
Me enrosca em tuas pernas;
E eu me entrego, doce serva, frágil que estou, sem resistência.
É algo cósmico essa energia que paira sobre nós.
Tentei domar meu sentimento;
Mas não consegui,
Cedi.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

COMO VENTO E FOLHAS - Crônica



(Malu Monte)




Faço pequenas viagens quando penso na vida.
Ouço o grito do vento agoniado;Presto atenção a cada som que ele emite sem nada entender do que ele talvez queira me dizer...
Suponho que os galhos das árvores que ali estão sejam como a família; As folhas cada um de nós; E, que com o balançar do vento se aproximem pra falar do hoje.
Sinto-me num silêncio repleto de sentimentos que brotam de fora pra dentro e de dentro pra fora...
Mensagens que vêm não sei pra quê?...Desejos que vão não sei pra onde...
Gente, agredindo gente sem ter um porquê!...
Morte, sangue jorrado ao chão estampado na primeira página do jornal, tal e qual uma pintura surreal.
Valores perdendo-se entre folhas e vento.
Ora, mas quem entende o que o vento diz?...
E, num vaivém de idéias eu mergulho fundo no ócio em que me encontro
Tiro proveito de cada folha caída, vítima da força do vento e delas crio minhas ideias
Então, nesse turbilhão, penso que pessoas horas são vento, horas são folhas.
E me pergunto: - Conseguirão as folhas sobreviverem ao caos dessa ventania?

FILHA DA NATUREZA




(Malu Monte)

Sou filha do vento com a mãe tempestade
nascida numa noite de verão caliente
muitas vidas vividas e nelas muito amada
não penso em passado mas no daqui pra frente

Sou filha do vento com a mãe tempestade
em berço de amor eu vivi e me criei
sem ostentar valores materiais
eterna criança, pelos Querubins me guiei

Sou filha do vento com a mãe tempestade
banho-me nas águas de Iara
e contemplo a riqueza do mar ao voar pelo céu
a brisa a soprar-me os cabelos
Num desalinho jogado ao léu

Sou filha do vento com a mãe tempestade
Em noites de lua cheia o meu uivo se faz ecoar
Desejos e prazeres outrora contidos
Na pele de loba passam a me embrigar

Sou filha do vento com a mãe tempestade
Faço da verdade a minha embarcação
Que me conduz pela vida ao caminho da luz
Eu, filha pródiga, concebida num rompante de paixão!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A DANÇA DAS SOMBRAS


(Malu Monte)

No aconchego daquele ninho
Dois corpos se tocavam
Misto de paixão à flor da pele
Sentimento profundo de algo antes incompreendido
Sensações que a cada tato desabrochavam

Ouvia-se, então, promessas e gemidos
E até o sussurrar de palavras profanas
Fizeram daquele ambiente de mistério
Puro desejo,doçura e encanto

No som rolava uma música afrodisíaca
Enquanto na penumbra erguiam-se colados
Num frenesi de movimentos sensuais
Um ballet pôs a levitá-los

Na parede do quarto passou-se a projetar uma tela de ilusões
Imaginárias ou reais a libido estava ali registrada
Misterioso mundo oculto das emoções carnais.
Doce ou profana, nada disso mais importava

O que valia era o que por detrás daquela porta rolava
Uma mistura inexplicável de sentimento e dor
Esta dança das sombras
Que alguns preferem chamar de AMOR.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

COMO OSTRAS E PÉROLAS


(Malu Monte)

O silêncio do meu quarto me faz refletir
Desperto e sinto-me como uma ostra

Aproveito-me dessa fria chance
Repenso cada passo que por mim foi dado

Meço em centímetro todo o meu pecado
Vejo que quando eu mais me doei só tropecei

Por entre pessoas e situações adversas
Fui protagonista de uma antítese.

Numas reconhecimento e noutras decepção em forma de promessas
Sei não haver para os desencantos uma só explicação.

No entanto, eu devo ter errado na mão.
Talvez eu tenha posto um ingrediente a mais na receita que criei.

De repente ouço uma voz que diz:
-Acorda pra vida poeta!...
É hora de sair da concha em que estás!

Conseguirei livrar-me dessas tais feridas?
Será, mesmo, necessário eu machucar a ostra pra retirar a pérola?

Nesse mundo, muitos contemplam a beleza da pérola;
Poucos avaliam o sacrifício da ostra.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

PONTO DE INTERROGAÇÃO


(Malu Monte)


Que vazio é esse que habita meu coração?
Como um porto sem navio;
Uma rua vazia de gente;
Um beijo dado sem paixão.

Que tristeza é essa que sangra no meu peito?
Um aperto, um nó na garganta;
Uma vontade louca de chorar;
Sem ter lágrimas para extravasar.

Que sentimento é esse que toma conta de mim?
É como ter vários braços sem ter a quem abraçar;
Ter felicidade e não ter com quem compartilhar;
Tanto amor sem ter pra quem se dar.

Será que os Deuses Mítológicos poderão me ajudar a desvendar?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

MENINA


(Malu Monte)



Menina, cadê a boneca?
Cadê o beicinho
O sorriso maroto
A carinha sapeca
Menina, cadê?

Cadê meu chamego?
O meu aconchego
O meu cafuné
Menina, cadê?

O príncipe encantado
O primeiro namorado
O beijo sem língua
Menina, cadê?

O susto do orgasmo
Do sangue sem machucado
O porquê dos por quês
Menina cadê?!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

CARTA A UM JOVEM AMIGO


(Malu Monte)

Jovem amigo, quando deixo o meu pensamento viajar
De cada estrela que conto eu acrescento o brilho do teu olhar

Por entre inúmeras estradas eu busco uma que me leve até você
Às nossas diferenças eu sempre tento somar um porquê

Da tua juventude em forma de pequenos versos eu busco aprender
Da vida que vives eu quisera só um segundo pra poder viver

Sorriso nos lábios, que tu tanto gostas, eu hei de carregar comigo
Porque os momentos felizes que compartilhamos eu sempre irei lembrar

Você com sua doce/sábia juventude e eu com a minha alegria de viver
E mesmo que um dia nós nos afastemos por conta do destino, amigo

Por certo o meu caminho sempre encontrará um jeito de cruzar o teu
Porque estaremos sempre premeditados a ficarmos perto

Ainda que esse perto nos custe uma imensa distância física
Entre o que Deus planejou e aquilo que ele nos concedeu.

CADÊ VOCÊ?


(Malu Monte)

Por onde você andou enquanto eu te procurava?
Em que estrela você se escondia quando neste mundo eu vim parar?
É como se tivéssemos vivido outra vida juntos
Será que já nos esbarramos num desses descaminhos?

Vivemos, agora, numa época bem diferente
Você tão menino e eu mulher madura...
Parece que já nos conhecemos há tanto tempo!...
Nossas idéias são tão afins, mas que loucura!

Temos a mesma percepção de mundo
Rimos de tudo e pra tudo quando conversamos
Nem me preocupo com o que está à nossa volta
Volto a ser criança quando juntos estamos

Mas como se estamos divididos entre tempos tão distantes?...
Sinto como se tentássemos alcançar algo inatingível
E que os nossos sonhos estivessem tão longe...
Será que não era mesmo pra sermos amantes?

É como se tivéssemos que viver esse sentimento de forma platônica
Em que o imaginário nunca nos daria permissão ao que é real
Ou quem sabe já vivemos esta paixão e não nos demos conta disso?...
Será que fomos amantes em algum outro plano astral? Será?!...

Ah!... Se eu pudesse parar o tempo só pra te esperar!...
Se ao menos eu tivesse a chance de renascer...
É loucura, eu sei, mas recriaria a minha vida
Daria um novo rumo ao meu caminhar

Viveria num tempo em que eu nunca vivi
Novamente seria apresentada ao verbo amar
Quem sabe a única solução seja eu me congelar pra te esperar?

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

PURA AMIZADE


(Malu Monte)

Não quero que me vejas como santa, casta.
Quero sim, que penses que meus pensamentos
Não dão moradia ao que é cruel, indigno, incorreto

Quero que entendas que o amor que a ti oferto
Não é o amor carnal de uma fêmea torrente de paixão

Distribuo amores por aqueles a quem acho que os mereça
Vislumbro amizade na mais límpida concepção da palavra
Coisa de coração pra coração, uma espécie de amigo-irmão

Talvez tu não consigas alcançar o meu sentimento
Mas tenha a certeza de que a todo momento
As mensagens que te mando estão repletas de energias de bem querer

Pessoa linda que Deus escolheu pra me apresentar
Só ele, o criador, sabe o que é melhor a cada um de nós

E pode estar certo de que quando nos uniu não foi por acaso
Que com a sua amizade resolveu me presentear.

Amo você!

(Malu Monte)

Segura-me em tua mão
Prenda-me por entre teus dedos
E eu me deitarei nesse branco leito
Estendido por sobre a mesa
E desvendarei todos os teus medos,
Os dissabores pelos quais passaste,
Sentimentos platônicos que um dia vislumbraste
Teus afetos bem ou mal resolvidos,
Tuas paixões não correspondidas
As emoções que por ti foram contidas
Desejos que se tornaram tão reais
Embora tudo às vezes tão antagônico...
Quereres reprimidos ou não
Tu sabes, coisas da emoção!
Prometo, por fim, traçar uma linha tênue entre o teu cérebro e coração
Que chegará até mim, pelo simples manuseio de tuas mãos.

Assinado: A CANETA.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

QUEM É ESSA MULHER?


(Malu Monte)

Que mulher é essa
Que passa com um corpo que rebola
Que a todos encanta
Com sua cara de santa
Mas pestinha como o quê?...

Que mulher é essa
Que tem covinha no rosto
Jeito sapeca ao dançar
Dentes brancos como neve
E sorriso de quem sabe viver?

Que mulher é essa
Madura na idade
Energia de criança levada
Transbordante de carisma
Juventude a esbanjar?

Que mulher é essa
Linda criatura
Anjo de candura
Perfumada como flor
Gesto suave ao acarinhar?

Que mulher é essa
Alegria que a todos contagia
Que mexe, remexe a cintura ao andar
Que no bailado de seu corpo
E ao balançar os cabelos consegue hipnotizar?

Simples desvendar os segredos desta mulher
Ora, esta mulher vem do sentimento de quem a vê
Ela vem de dentro pra fora
Basta você o querer
Essa mulher?... Ah! Essa mulher está dentro de você!

MUITO PRAZER DONA SOLIDÃO!



(Malu Monte)

E eis que me dou conta de que ela está lá...
Como pode estar se estou só?
Mas ela não deixa rastro
Maltrata pelo demorar do tempo
Faz-nos refletir ao escutar o som que o silêncio traz.
E não é que ela está lá?...
Num canto quietinha a me olhar.
Eu inocente nem a percebo
Mas ela está e eu posso sentí-la
A dor da tristeza aperta o meu peito
Alegria bate na porta mas nem é atendida
Ela não permite ninguém entrar.
E não é que ela está lá?...
Num canto quietinha a me olhar
Em momentos breves se faz necessária
Nos longos sua presença só incomoda
Não conheço quem queira alongar esta companhia
Imaginar repartir-se um tempo que não quer passar
E não é que ela está lá?...
Num canto quietinha a me olhar!

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

CONSELHOS DE UM BEIJA FLOR



Malu Monte

Um dia um beija flor me disse:
-Por que choras, linda flor?
Eu lhe respondi com o olhar:
-Porque levaram a minha paixão
Ele então me respondeu:
-Chora não, coração!
Logo virá um outro amor!
Que com a força de um guerreiro
Te arrebatará das garras dessa tristeza
Te trará toda a alegria
Te devolverá o brilho dos olhos
Que o outro furtara com frieza
E no calor de seus abraços
Esquentará o frio que por ventura tu vieres a sentir
Palavras belas em teus ouvidos há de ouví-lo sussurrar
Beijos melados e ardentes
Com ele tu hás de saborear
Fará da tua noite uma criança
Que só estará ensaiando um caminhar
De teu corpo explorará o jardim
E fará com que tu sintas ocultos prazeres
Nunca antes experimentados em outros quereres
Sabores e essências sedutoras tu inalarás assim
Mas não se iluda com isso pois tudo o que começa há de ter um fim
Porque com um rompante e sua espada empunhada ele partirá
E em tua pele deixará gravada a marca do amor e da dor
Pensarás ingenuamente que não haverá de ter substituto
E que tu jamais o esquecerá
Até que um dia enfim descobrirás
Que a saga do amor não tem tempo pra acabar
Bastando que permitas à outra história um recomeçar
.

O POEMA QUE EU NÃO ESCREVI


(Malu Monte)

Eu ia escrever versos tristes
Desses que fazem o coração sangrar.

Que te fazem sofrer e até chorar
Daqueles que te deixam meio assim...

Olhei-me no espelho
E um filme passou inteirinho em minha cabeça

Lembrei-me do quanto sou amada
De quantos momentos felizes já vivi

Quantas boas gargalhadas já dei
De quantas delícias da vida eu já provei

Lembrei-me das palavras de carinho que já ouvi
Dos tantos sufocos aos quais sobrevivi

Os momentos de amor dos quais deleitei-me de prazer
De como sou querida e do quanto sei querer

Dos meus carinhosos e fiéis amigos
Da alegria de não ter feito inimigos

Lembrei-me da relva molhada
As flores que brotam no jardim da minha casa

Do meu belo cão companheiro fiel
As estrelas que brilham lá no céu

Do sol a refletir seu brilho nas ondas do mar
Das poesias que fizeram só pra mim

E de todas as coisas das quais estou a fim
De tudo o que pra minha vida planejei

Do que ganhei quando fiz sem pensar em merecer.
Parei e pensei:
É, amiga, escrever coisa triste... Pra quê?

PINTANDO MONET


Malu Monte

Eis que a noite virou dia
E eu sentada ali à beira daquele riacho
Fiquei a contemplá-lo e a recordar você
Tentando reproduzi-lo numa tela de Monet.

Viajei dando cores àquela paisagem em preto e branco,
Há muito,adormecida nas minhas lembranças
Era como se eu desse som aos pássaros pintados inertes;
Criasse movimentos pras águas daquele riacho doce onde outrora nos banhávamos

Certeza eu tinha,de que não éramos meros contempladores daquele cenário.
Por certo, havíamos sido convidados pelo artista à compormos aquela tela.
A paisagem que ali estava, não teria a menor graça sem o côncavo e o convexo de nossos corpos.


Nesse instante, senti você ao meu lado;
E, naquele momento de pura magia...
Logo eu, que dera vida a tudo,
Ficara estática e, como um iceberg - fria.
Deixei-me empregnar pelo teu cheiro que invadia minhas narinas.

E o meu delírio deu lugar a uma dor, um pranto,
Que se instalou em minh'alma e apertou meu peito já ofegante
E como que num surto, rompante,
Seu beijo arrebatador fez-me acordar;

Foi então que ao despertar eu pude perceber;
Que tudo não passara de um lindo sonho;
No qual eu acabara de fazer
Um mergulho íntimo da minha vida
Ao transportar-nos para uma tela de Monet.

sábado, 27 de outubro de 2007

PÁSSARO FERIDO


(Malu Monte)

Voa pássaro ferido;
Cura esse coração partido;
Tenta refazer o caminho tortuoso por onde tu passaste;
Vá até o ponto em que tu erraste.

Não é porque tudo deu errado que vais fraquejar e deitar-te num leito;
Sinta a força interior que guardas no peito.
Lute até a exaustão mas não a deixe escapar;
Você pode e deve, basta querer acreditar!

Alcance a ponta do nó que se partiu em você;
Isso mesmo! Comece do zero. Pague pra ver!
Que tal amarrá-la pra não cair?
Não tenhas vergonha de admitir: Eu errei e daí?...

Alguém te tocou, te cravou um punhal e te feriu, eu sei;
Mas você pode e deve fazer a sua própria lei.
A de transformar em renascer as dores do sofrer:
E que te ressurgirá das cinzas, assim: bela e formosa, linda de viver!

Não uma lei da vingança igual a de quando se era criança.
Enxugue as lágrimas, abra esse lindo sorriso;
É só disso que preciso.
Vá minha Fênix, voa, renasça das cinzas, namora com a esperança!

NÃO CHORE


(Malu Monte)

Não Chore linda criança
Por achar que ainda era cedo
Pra lhe tomarem o brinquedo
Que acabara de ganhar.

Não chore linda criança
Pelo beijo que não provou
O perdão que não alcançou
Por aquilo que não pôde tocar.

Não chore linda criança
Pelas juras de amor em seu nome não cumpridas
Pela mágoa em você contida
Por ter desistido antes mesmo de começar

Não chore linda criança
Pela falta do abraço que não lhe foi dado
Pelo respeito que por você foi conquistado
Por conta das loucuras que deixou de praticar.

Não chore linda criança
Pelo amor não correspondido
Por sentir seu coração partido
Pela lágrima que você não soube controlar.

Não chore linda criança
Enxugue o pranto e acredite
Tudo na vida passa
Afinal, não existe desgraça
Que não se possa superar.

SÚPLICA


(Malu Monte)

Na calada da noite,
meu pensamento me transporta
a um mundo mágico,
mergulho no meu íntimo.

Na calada da noite,
sinto o disparo do meu coração,
sedento de paixão...
me enlouquecendo com alucinações
que parecem tão reais,
mas que não passam de conseqüências
daquilo que foi
sem nunca ter sido
e quem sabe...ainda será?

Na calada da noite,
ouço um grito,
súplica de amor.
Toco meu corpo,
fico em silêncio,
atenta ao que ele diz.
Chego a conclusão:
Ainda que sofrendo, eu sou feliz!

METADE DE MIM



(Malu Monte)

Metade de mim é criança
A outra metade mulher
Metade de mim é pintada
A outra é cara lavada
Metade de mim é alegria
A outra metade tristeza
Metade de mim é narcisa
A outra nem quer espelhos
Metade de mim é juízo
A outra inconseqüência
Metade de mim é cautela
A outra metade é perigo
Metade de mim é sossego
A outra metade tumulto
Metade de mim é passarela
A outra metade favela
Metade de mim é fortaleza
A outra metade frágil
Metade de mim é poder
A outra metade pobreza
Metade de mim é solidão
A outra metade acompanhada
Metade de mim é paixão
A outra é só amor
Metade de mim quer você
E a outra metade, também!

DECLARAÇÃO DE AMOR AO RIO


















(Malu Monte)

Rio meu Rio moreno, por ti eu tenho um grande amor.
O Cristo nos recebe de braços abertos... OH! Cristo redentor!
Tanta brejeirice, tanta meninice num sorriso de rara beleza;
Rio tu és pequeno, mas é grande a tua riqueza.

Cidade Maravilhosa, da mulata formosa, de corpo escultural;
Da loirinha sereia, que desfila na areia, com biquíni fio dental;
Tuas belas paisagens são regadas de um mar a se expandir;
Rio a natureza veio aqui a passeio e não teve sequer coragem de se despedir.

Problemas, quem não os tem? Com certeza tu também terás!
Ainda mais quando já não se é tão "novo";
Novo não, mas jovem tu sempre serás!