terça-feira, 27 de dezembro de 2011

NA RUA



















Malu Monte



Senti que tu te perdestes de mim

Pela vida em meio à multidão

Corrias em direção contrária

Por entre confusos gritos que ao teu ouvido chegavam

Eu, que no afã de alcançar-te senti-me levada

Pelas ondas humanas que se formavam ao meu redor

No teu encalço percorri: ruas, vielas, esquinas...

Como num verdadeiro turbilhão de ideias

Vi rostos que pra mim eram tão estranhos

Sem conseguir lembrar-me quem, de fato, eram.

Talvez eu os tenha conhecido ou não

Mas tu, que ao contrário, eu não desconhecia

Buscava naquela mesma rua em cada fisionomia

Misturando-me à bandeiras e faixas.

E, enquanto meus olhos tristes o procuravam

No brilho de outros olhos que não eram os teus

No rufar de tambores pra que tu me ouvisses

Pulei, gritei, chorei...

Até a minha ficha cair e eu me dar conta de que essa busca de nada adiantaria

Pois estava à procura de alguém que, na verdade, nunca existira.